quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Vamos pensar...

Existem médiuns e médiuns espíritas. Médium significa medianeiro, ele é a ponte entre dois extremos, dois mundos, o físico e o espiritual, entre os encarnados e os desencarnados. A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, não criou o intercâmbio, este existe desde os mais remotos tempos, eram os oráculos, os adivinhos, as vestais, existindo até mesmo entre os selvagens, quando os pajés, os feiticeiros, mantinham constante comunicação com os mortos.

Umbanda, candomblé, catolicismo, todas as religiões e seitas possuem em sua história, antiga e atual, fatos reais de comunicação entre os dois planos, aviso de santos, visita de anjos, visões, caboclos, preto velhos, uma variedade de situações e acontecimentos, onde o intermediário, o médium, de forma atuante, facilita, através da combinação fluídica, a comunicação entre o mundo corpóreo e o espiritual, agindo e influenciando a vida de todos os envolvidos, isto, através de todos os tempos.

O médium espírita é aquele que serve a este intercâmbio como instrumento nas comunicações realizadas, de acordo com os preceitos da Doutrina Espírita, nela baseando as comunicações, as formas com que se realizam, os objetivos que se propõe alcançar, a conduta, a postura, agindo conforme foi orientado pelos próprios espíritos quando na formulação das Obras Básicas da Doutrina, das informações reunidas, ordenadas e devidamente estudadas e comprovadas por Allan Kardec.

No Livro dos Médiuns encontramos, devidamente, estudados e especificados, os conceitos, as regras, as dificuldades, os escolhos, que existem no caminho de todo aquele que tem como objetivo dedicar-se a mediunidade, fazendo com que aqueles que menospreze ou ignore seus conceitos, possa vir a não dispor de todos os parâmetros necessários para desenvolver suas tarefas mediúnicas, comprometendo a seriedade do que venha a receber, das comunicações que sejam dadas por seu intermédio, porque lhe faltarão critérios para analisar o conteúdo e a veracidade doutrinária que os espíritos que agiram por seu intermédio trouxeram, podendo vir a prejudicar não só a si mesmo, como aqueles que buscam seu arrimo como interprete da espiritualidade, os que o buscam para que, de alguma forma, os auxilie em suas dificuldades físicas e espirituais.

O médium espírita é aquele que agrega em si as leis morais, os ensinamentos cristãos, não que lhe exija a perfeição, mas, que se esforce ao máximo para pensar, falar e agir conforme os conceitos básicos, os exemplos do cristianismo e do espiritismo. Não se pode supor um médium espírita que durante o dia se entregue aos vícios, as paixões inferiores, a sentimentos e atitudes negativas, onde a impaciência, a cólera, a inveja, o egoísmo, o orgulho imperem, e a noite, durante as reuniões do centro que frequenta se “santifique”, esperando se tornar um instrumento fiel e passivo da espiritualidade superior. É uma questão de lógica, de bom senso, devendo todos estar ciente que o ensinamento do Mestre Jesus, quando Ele diz que a cada um será dado segundo as suas obras, não é por acaso ou sem fundamento.

Apesar de o médium espírita ser apenas o intermediário, o instrumento, sua passividade está condicionada ao que ele é como ser humano. Como espírito livre tem todo o direito de agir como melhor lhe aprouver, não sendo obrigado e nem constrangido a nada fazer que não deseje. Ele, como todos nós, tem o direito, inalienável, de utilizar como melhor desejar seu livre-arbítrio, entretanto, da mesma forma que pode agir e viver como desejar, a espiritualidade superior pode se servir ou não do seu dom mediúnico, pois, se ele tem respeitado seu direito de ação, também precisa estar consciente que nada deverá esperar no que se refere as atividades espíritas se não o fizer por merecer, com esforço próprio, com dedicação e atitudes voltadas ao bem.

Vaidade, preconceito, egoísmo, ambição, orgulho, prepotência, são sentimentos que não compactuam com o médium espírita, então, aquele que age desta forma, não pode esperar nada de bom em suas comunicações com a espiritualidade, porque, como os semelhantes se atraem, se sintonizam, só terá como companhia imediata, por sua própria escolha, espíritos que, por similitude, se interessem por seus mesmos gostos, com seus desejos, com sua postura, com sua forma de agir e pensar.

Para ser um médium espírita atuante, produtivo, eficaz, eficiente, faz-se necessário uma reforma interior, uma luta constante contra as conhecidas deficiências espirituais de sua personalidade cármica, aprendendo a condicionar seu espírito, sua mente a agirem em todos os instantes de sua vida, em todas as situações cotidianas, de acordo com os conceitos que norteiam a existência de um homem de bem, um homem cristão, com a bondade nos pensamentos, nas palavras, nos atos, sendo tolerante, paciente, humilde, sempre disposto a servir, a auxiliar, a perdoar as ofensas, a relevar as críticas, e tudo isso só depende unicamente de si mesmo, e com isso estará bem mais próximo de conquistar o que de mais importante todo trabalhador espírita pode e deve possuir: o Equilíbrio.

Todo esforço, todo desejo, toda a determinação que demonstrar para corrigir suas atitudes, sua postura, não se perderá, não será em vão, não ficará sem a resposta e o auxílio por parte da espiritualidade superior.

Se o tarefeiro tudo faz para conquistar seu equilíbrio, os benfeitores espirituais tudo farão para que os fatores externos não o prejudiquem, não dificultem o seu êxito.

Tranquilidade para enfrentar possíveis problemas materiais, financeiros, familiares, profissionais, tudo será feito para que o esforço do trabalhador fiel seja recompensado, não que este ficará isento de problemas, mas, sim, que terá energia e paz para suportá-los e superá-los. Esta certeza, este arrimo, nos trás também a compreensão que o trabalho espírita, o trabalho cristão, se assemelha a qualquer outra tarefa, onde a recompensa é sempre proporcional ao serviço realizado e também que esta vem sempre após o efetivo cumprimento do dever e não como muito esperam, que é ser recompensados antes, condicionando, riqueza, saúde, conforto, bens materiais para poder vir a trabalhar em prol do próximo ou da sociedade onde vive.

Dar para receber, lutar para poder vencer, do esforço vem a ascensão, do trabalho virá a evolução, Deus a tudo provê, e de nós Ele espera apenas a ação, a boa vontade, o esforço, o sacrifício, o suor.

Todos que trabalham na Doutrina Espírita possuem responsabilidades, oradores, palestrantes, médiuns, dirigentes, ajudantes, e, seja qual for a atividade, acima de qualquer coisa, precisam ser, de fato, ESPÌRITAS, pensar, agir, falar, viver, trabalhar, agir, seja, no centro, no lar, no serviço, no lazer, sempre de acordo com os ensinamentos e conceitos doutrinários. Vale mais ser um bom ajudante, que um péssimo médium, um bom dirigente que um confuso palestrante.


Espírita não é apenas um título, é um modo de vida, porque a responsabilidade maior não é a com a nossa necessidade e sim com a daqueles que nos buscam atrás de arrimo, de orientação, de também poderem conhecer as lições e os exemplos do Nosso Mestre Jesus, de se capacitarem para evoluir através dos preceitos do Consolador Prometido, do Espiritismo, cabendo a cada um agir sempre com seriedade, com a humildade e o sincero desejo de servir, com o mais puro amor no coração.

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