quarta-feira, 19 de maio de 2021

O dever de não julgar e o direito de não ser julgado!

 

 


    Tudo depende do nosso equilíbrio espiritual para que conquistemos aos objetivos que nos propomos alcançar.

    Enquanto o mal, o vício, as paixões inferiores e degradantes nos trazem um mórbido e efêmero prazer, enquanto estamos aparentemente satisfeitos por neles nos chafurdarmos, conseguimos manter certo equilíbrio, um possível controle sobre nossa conduta, sobre nossas escolhas, sobre nossa mente, ainda que estejamos sendo influenciados por forças afins e negativas, tendo plena liberdade de agir e de pensar, escolhendo nossas prioridades e definindo nossas necessidades.

    Assim, mesmo no mal e no erro, quando decididos, determinados, dificilmente entidades espirituais que queiram nos prejudicar, se vingar de algo que as fizemos sofrer ou alguém a quem amam e protegem, conseguirão com facilidade encontrar uma brecha para que venhamos sofrer de forma incisiva sua agressividade, sua vingança, nos mantendo alheios aos seus esforços de nos desequilibrar e prejudicar.

    Isso não significa que em nossas ações não estamos sintonizados e sendo influenciados por espíritos inferiores, ainda mais se elas estão claramente vinculadas a sentimentos negativos.

    O que se passa, na realidade, é que unidos estamos a estes espíritos por afinidade, por sintonia, por mútua atração, desfrutando de suas companhias por vontade própria, porque assim o desejamos, mesmo que o domínio que eles tenham sobre nós seja forte, até mesmo, por vezes, assumindo o papel de comando sobre nossas escolhas.

    Da mesma forma, equilibrados no bem, cientes de nossas responsabilidades, firmes e seguros em nossas resoluções, ainda que longe da perfeição ou do total domínio sobre nossos sentimentos negativos, temos, na proteção e no arrimo de amigos e benfeitores espirituais, também plena condição de resistir ao assédio de forças inferiores que queiram nos prejudicar, mesmo que estas de alguma forma tenham sido por nós prejudicadas, em um passado recente ou distante, porque a ninguém está afeito o papel de juiz, de policial, de verdugo, cabendo a justiça sempre a Deus, e este, não julga, não condena, e dá plena possibilidade e capacidade do espírito culpado se redimir, e buscar por sua própria forças e vontade, à sua remissão, a quitação de seus débitos, a correção de seus erros.

    Quando nos desviamos do caminho do bem são várias as razões que poderão nos levar a reconsiderar as nossas atitudes e buscar nossa renovação, nossa mudança de postura e de atitude íntima, mas a maioria delas, indiscutivelmente, precisa passar pelo reconhecimento e pelo arrependimento de nossas próprias faltas, de nossos desvios, para que depois, analisando nossas necessidades e nossas dívidas, possamos, acompanhados por nossos benfeitores, planejar uma forma de virmos em posteriores oportunidades de estudo e trabalho, quita-las e resgata-las da melhor maneira, para que venhamos a beneficiar a nós mesmos e ao mesmo tempo, àqueles a quem prejudicamos.

    Não é fácil, entretanto, virmos a encontrar esta conscientização de nossa errônea postura e, prontamente, iniciarmos o nosso processo de renovação.

    Por vezes, o nosso desequilíbrio momentâneo, poderá dar espaço e potencializar a força sobre nós, assim como a influência, das nossas vítimas, de nossos adversários, ou até mesmo de cúmplices e associados, que são contrários ou não creem, a que venhamos a encontrar a possibilidade de retornarmos ao caminho do bem, quando, então, passam a nos monitorar e buscar nos direcionar aos mesmos desvarios que em um passado recente nos entregávamos, não admitindo que nos isolemos de seus convívios, potencializando qualquer sentimento que venha a nos fazer fraquejar, seja através de tentações, ou outros subterfúgios, até mesmo o remorso destrutivo.

    O importante para eles em um primeiro momento, para não perderem a ascendência sobre nós, é que venhamos a perder o controle sobre nossas escolhas e ações, manipulando nossos desejos, ou agravando sentimentos inferiores como o medo ou a dúvida, até mesmo nos fazendo acreditar que somos devedores, criminosos, que precisamos de punição, que merecemos ser seviciados, perseguidos, que precisamos sofrer porque fizemos com que os outros sofressem, lhes dando assim, indevidamente, o direito, a possibilidade, a autorização, para que dominem nossa vontade, nossa existência, nos entregando ao seu domínio.

 

    “Quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra”.

 

    Jesus foi claro ao determinar que só poderia julgar, só teria o poder de condenar e impingir a pena como verdugo, como carrasco, utilizando-se das próprias mãos para corrigir uma aparente injustiça, aquele que nunca também tivesse feito mal a alguém, que nunca tivesse sido o criminoso, que nunca tivesse sido o agressor.

    O interessante, sobre esta condição imposta pelo Cristo, é que hoje, como em sua época, aquele que está plenamente quite com sua consciência, é também aquele, que a ninguém julga, que a ninguém condena, que tem plena capacidade de perdoar, ou de pedir perdão quando necessário, não alimentando em si sentimentos como o orgulho, a vaidade, ou o mais grave deles, o egoísmo.

    Muitos podem afirmar categoricamente, e talvez até estejam certos, que nesta existência, em nenhuma oportunidade, tenha agido com intenção de prejudicar ou lesar a ninguém, ainda mais aquele que atualmente o prejudica e que o faz sofrer, porém, como cristão, como espírita, deve estar consciente, que está em um mundo de provas e expiações, onde os sentimentos inferiores ainda prevalecem e predominam na grande maioria dos corações da nossa humanidade, o que o levará a crer, e é fato, que também não está isento, decorrente de outras existências, de erros, de crimes, de débitos pessoais a serem quitados, a serem ressarcidos, onde existe até mesmo a possibilidade de seu atual algoz, em sua aparente inocência, tenha sido, em existência anterior, sua vítima, aquele a quem prejudicou, e talvez, até mesmo, com maior gravidade.

 

    “Perdoar não apenas sete, mas setenta vezes sete.”

 

    Esta é a melhor fórmula para que não venhamos a nos emaranhar em erros ainda maiores pelo fato de não aceitarmos os sofrimentos que estejam sendo a nós impostos por irmãos do caminho, e nesta concepção de perdão, se faz necessário que aprendamos, principalmente, a perdoar a nós mesmos, a reconhecer que somos falíveis, que podemos errar, reconhecendo assim também o dever de perdoar e entender os erros do próximo, sem tentar julga-los, condena-los, deixando a isso a quem de direito, as leis humanas, e quando não, as leis divinas, as quais ninguém escapa.

    Se nós erramos, se a algo ou alguém prejudicamos, se cometemos crimes e desvarios, temos plena condição de buscar a renovação, a transformação, quitando débitos, ressarcindo dívidas, e para isso, se faz, realmente, necessário o arrependimento sincero, a análise e o reconhecimento dos crimes cometidos, o planejamento para corrigi-los e ressarci-los.

    Está ação, entretanto, deverá ser feita sempre com equilíbrio, nos protegendo e amparando na fé, na certeza que o Pai olha por nós, que poderemos contar com a proteção e o apoio de benfeitores espirituais, que precisaremos, sim, de muito esforço, de enfrentar dificuldades, talvez sofrimentos, dores, com extrema necessidade de renúncia, de esforço, de disciplina, mas tudo isso, não a título de punição, mas, sim, por consequências naturais de nossos atos, de nossas escolhas, por se tratar de colheita natural daquilo que plantamos, daquilo que geramos para nós com nossos atos, com nossas escolhas.

    Mesmo que enfermos, mesmo que reconhecidamente culpados, precisamos, desta forma, manter o mínimo de equilíbrio possível para buscar nossa transformação espiritual, cientes que ninguém, nem mesmo nossas vítimas, têm ou detém o poder ou a autonomia de nos punir, de nos perseguir, de nos prejudicar, ainda mais, porque elas também devem ter suas pendências espirituais, também devem ter aqueles a quem prejudicaram.

    Viver no bem, estudar, trabalhar, ser paciente, amoroso, tolerante, caridoso, humilde, pacífico, corajoso, amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas, tudo isso já basta para angariarmos proteção, arrimo, amizades sinceras e eternas, sem correr o risco de nos ver enredados em processos obsessivos, em perseguições, em associações indébitas.

    Tudo é questão de escolha, de firmeza nas intenções, de desejos sinceros, sendo os artífices de nosso destino, e que este destino seja no Cristo, que seja no eterno bem.   


      

domingo, 7 de março de 2021

"Corpo Físico - Instrumento Divino"


 

Programado por nós mesmos, ou por mentores da espiritualidade superior quando por algum motivo estejamos incapacitados ou não autorizados para tal, nosso corpo físico, com suas totais características, produtivas ou restritivas, é um dos principais itens constante em nosso planejamento reencarnatório, sendo um relevante instrumento para que venhamos vencer ao nosso passado culposo e seguirmos firmes no processo de nossa evolução como individualidade eterna.


O que precisa ser, entretanto, tratado com a máxima atenção, como tudo o que se refere a um planejamento, seja em nossa vida pessoal ou profissional, como também ao que antecede a nossa volta a matéria, é que na prática, quando da sua realização efetiva, são poucas as ocasiões em que ele vem a ser cumprido a risca.


Independente das inúmeras variáveis que poderão vir a ocorrer com o nosso corpo físico de acordo com nossas necessidades imediatas, a hereditariedade será sempre respeitada, porque são os genes dos pais que darão origem aos dos filhos, e isso muito é levado em conta também quando da análise geral das necessidades do reencarnante, sendo, inclusive, em alguns casos, os pais escolhidos baseado unicamente na questão genética, se isso for fator primordial para o possível sucesso do ser que volta ao plano físico.


Cada caso é único e possui suas características próprias, porém, algo é certo, das mais simples as mais complexas, a espiritualidade superior estará sempre no mais absoluto controle da situação, tudo fazendo com lógica absoluta e no mais pleno equilíbrio, acompanhando as possíveis mudanças decorrentes do livre arbítrio dos envolvidos, e readequando as situações para que as oportunidades de renovação sejam sempre aproveitadas por todos.


Nosso corpo estando ao reencarnar plenamente apto e de acordo com aquilo que foi programado para nossa existência, caberá a nós levarmos a efeito aquilo que é de nossa responsabilidade suportar e realizar, devendo para isso respeita-lo, trata-lo, sustenta-lo, fortalecê-lo, utilizando-o da melhor maneira possível, sabendo, claro, por antecedência, que vivemos em um mundo de provas e expiações, estando todos assim, devido as nossas seculares imperfeições, sujeitos a nos deixar enredar pelo nosso passado culposo, vindo a enfraquecê-lo e maltrata-lo, dificultando assim, voluntariamente, a nossa plena vitória dentro do que de nós se espera nesta oportunidade cármica.


O abuso alimentar, o descuido com a alimentação mínima, os vícios de todos os tipos, como o tabagismo, o álcool, as drogas, ou a entrega a desregramentos sexuais, ou a valorização de sentimentos agressivos, como a intemperança, a intolerância, a revolta, o medo, a tristeza, ou o exagero em relação a tatuagens e piercings, como também a busca excessiva do corpo perfeito através de regimes, de exercícios físicos, ou de desnecessárias intervenções plásticas, são fatores de suma relevância no desperdício fatal do veículo físico que nos serve na atual existência, nos fazendo assim falir em nossas pretensões evolutivas, nos desviando de forma significativa daquilo para qual nosso corpo foi programado, quando então, enfraquecido, ele passar a ser um instrumento defeituoso e incapaz de suportar aquilo pelo qual deveríamos ou ainda deveremos passar, sendo, até, em última instância, a causa que nos levará ao regresso antecipado ao plano espiritual como suicidas indiretos.


São raros aqueles que retornam a espiritualidade na posição de “completistas”, termo trazido para nós por André Luiz em suas obras, que são os que conseguem cumprir a risca tudo que foi previamente planejado antes do reencarne, devido claro, a inferioridade latente que a maioria de nós carrega, fora a inconstância do nosso querer, quando se dilui, devido ao véu de esquecimento que nos cobre a consciência plena quando encarnados, o desejo de renovação frente a possibilidade e a liberdade de mais uma vez nos chafurdarmos em nossos vícios e nas paixões alimentadas em pretéritas oportunidades, tudo ligado a falsa sensação de felicidade gerada pelo temporário prazer deles decorrentes.


Cabe a cada um valorizar e proteger o próprio corpo físico, lhe dando o devido valor, agindo e reagindo a luta diária com responsabilidade, de forma regrada e disciplinada, para que venha a ter plena capacidade realizadora em suas ações, tendo assim um firme e capaz instrumento para vencer a batalha contra os seus sentimentos inferiores e as suas tendências negativas, objetivo maior a ser conquistado por todos.


O nosso corpo físico sendo tratado com cuidado e respeito não é garantia para que venhamos a cumprir de forma plena nosso planejamento reencarnatório, mas é certo, porém, que nossas chances irão muito aumentar, principalmente, porque não desperdiçaremos tempo e energia no tratamento de doenças, não nos impondo assim, por livre consciência, limitações e obstáculos desnecessários para nossa vitória espiritual.


Orar e vigiar, valorizar o bem, os conceitos cristãos e os preceitos espíritas, gerando positividade e combatendo de forma sistemática a negatividade, não só aquela que trazemos dentro de nós, mas as que a vida encarnada nos traz como constante ameaça a nossa paz íntima.


A perfeição ainda se encontra imensuravelmente distante de ser alcançada, mas o desejo sincero para a transformação no bem é conquista franqueada a todos, sem exceção, e é algo que não precisamos nada esperar para possuir.


Que cada um encontre este desejo de mudança o mais breve possível, que seja hoje, que assim seja!          

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Mudança Individual e Planetária


 

    Vivemos em um mundo de provas e expiações, onde o mal predomina, mas, caminhamos de forma contínua para assumirmos o estágio da regeneração, onde o desejo de melhorar e de deixar para trás o erro é fator preponderante, beirando ao absoluto dos que aqui permanecerem.

    Alguns podem estranhar esta colocação final, que nem todos poderão usufruir desta mudança planetária, mas o que precisa ficar claro é que isto não significa premiação para uns e punição para outros, mas, simplesmente, a situação do fator selecionador estar ligado a sintonia, ao padrão vibratório emanado, não só da criatura, mas da atmosfera psíquica do planeta, traçando a linha demarcatória do que se faz necessário conquistar e manter para se ter o direito irrestrito e natural de permanência.

    Ainda que muitos já tenham despertado para a necessidade de abraçar o bem como direcionador das suas existências, utilizando como exemplo os preceitos morais e éticos contidos nas mais sérias frentes religiosas, assim como no sistema social e jurídico de alguns países já mais desenvolvidos, é inegável que, espalhados pelo mundo, inúmeros irmãos do caminho, inúmeras comunidades, inúmeros povos e países, em relação a direitos humanos, a igualdade social e de direito, ainda longe estão do ideal, muitos até mesmo presos à barbáries legais, onde o preconceito de todos os tipos ainda predominam e segregam aqueles que não estão alinhados com seus retrógados códigos de conduta.

    Não falamos aqui de avanços tecnológicos, científicos, de poder temporal, de poder financeiro, mas da restrição do mais puro direito de cada um decidir o que é melhor para si, desde que não prejudique diretamente a ninguém, pois, infelizmente, ainda há países que delimitam direitos as mulheres, aos homossexuais, a quem não pertence a raça predominante, a quem não nasceu na localidade, a quem não tem a classe social alta, entre outros desvarios originários do orgulho, da vaidade, da intolerância, do preconceito, do egoísmo, da prepotência, e infelizmente, do ódio para com aqueles que não seguem suas cartilhas e seus códigos.

    Ainda existem diferenças gritantes entre estágios evolutivos espirituais e morais, e isto independente de classe, de poder aquisitivo, da frente religiosa escolhida, ou entre aqueles que ainda não admitem uma força maior no comando do mundo, diferenças geradas pela ignorância, pelo não desejo de adquirir conhecimentos maiores, em não desejar sair da zona de conforto, em não perder privilégios, ou poder vir a deseja-los e conquista-los custe o que custar, frutos de pretéritas lutas baseadas na vantagem pessoal, na lei do mais forte, no sofisma de se considerar superior ou merecedor, entre tantos outros desvios de conduta, tendo, porém, todos em comum, as pretéritas existências onde já preferiam ignorar o direito do próximo, não respeitar diferenças, não alimentar o mínimo de empatia, se arvorando de juízes e censores das atitudes e escolhas alheias.

    Em relação ao passado, a diferença para a negatividade de intenções e ações da maioria das pessoas de nossa sociedade atual é a de se colocar em uma posição de extrema má vontade e de total desprezo, de forma ostensiva ou disfarçada, em relação aos exemplos e ensinamentos do Mestre Jesus.

    Ao se colocarem em posição de superioridade e empáfia frente aos seus irmãos do caminho que não pensam como eles, ignoram de forma ostensiva a necessidade de não julgar para não serem julgados, de não atirar pedras se também estiverem sob judice de serem apedrejados, de não oferecer a outra face quando agredidos ou injuriados, ainda que de forma injusta, de não perdoar nem sete, nem quantas vezes forem necessárias, e, principalmente, não fazer ao irmão do caminho o que não gostariam que ele os fizesse, e fazendo a ele o que gostariam que lhes fosse feito, amando-os e respeitando-os, como a eles mesmos deveriam se amar e se respeitar.

    No mundo virtual em que vivemos chega a ser surpreendente, se não assustador, o ódio destilado seja qual for o assunto, com que uns tratam aos outros, em uma crescente polarização, onde o desrespeito e os excessos deixam ao final uma única certeza, a que todos estão distante da Verdade, presos as suas realidades, onde o bem geral se perde em decorrência da disputa pela razão e pelo, ainda que não admitido, poder.

    A agressão verbal e física está escancarada, máscaras sociais caem com extrema facilidade para aqueles que extrapolam todos os limites de civilidade e do respeito, escondidos que estão atrás da tela de um computador ou de um celular.

    Tudo, talvez, seja fruto de uma revolução em andamento, quando aqueles que ainda estão resistentes à mudança podem estar reencarnando juntos em um contingente cada vez maior, e como agravante em relação a agitação disso decorrente, em um período onde a informação e a notícia se espalham em uma velocidade estonteante, e onde são raras as ocasiões em que não haja um vídeo sendo gravado com os mais insólitos acontecimentos.

    Não há dúvida que pela imposição equivocada de algumas frentes religiosas na busca pelas aceitações de seus dogmas, aliado ao fato dessa imposição ir contra a liberdade que se anseia em várias frentes da sociedade, cada vez mais esmorece em um número significativo de pessoas o desejo e a necessidade do desenvolvimento da espiritualidade, quando até mesmo o próprio Cristo é visto e tratado como um ser mitológico, não real, desviando-se por causa de estéreis discussões a essência Divina para a efetiva evolução planetária, contida em seus ensinamentos e em seus exemplos.

    Corremos o risco, assim, de seguirmos o exemplo de Capela, planeta que exilou aqueles que mesmo avançados intelectualmente, insistiram de forma irascível na valorização do mal, do vício, do desregramento das paixões, vindo eles servirem de deuses a um planeta ainda infante, preso a selvageria de costumes, chamado Terra.

    Ainda é cedo para afirmarmos que isso ocorrerá de forma inquestionável, mas não há dúvida que chegou a hora do nosso planeta galgar mais um degrau na escala evolutiva dos mundos, e não serão algumas almas resistentes e insistentes na negatividade de sentimentos que irão impedir que isso aconteça no tempo previsto pela espiritualidade superior que comanda nosso orbe.

    Estando condicionada a transformação do nosso planeta à mudança da maioria dos espíritos que aqui estagiam, não há dúvida que se faz estritamente necessária a nossa própria renovação íntima para progredirmos como individualidade, e carimbarmos o nosso passaporte para acompanha-lo em sua ascensão, lutando com todas as nossas forças para eliminarmos a inferioridade que ainda existe em nosso íntimo, reacendendo a chama do amor puro baseado no Cristo Jesus que está vivo em nós desde que fomos criados.

    Que saibamos valorizar a oportunidade que hora recebemos de estudar, conhecer, e quiçá, vivenciar os conceitos que formam o corpo doutrinário do Espiritismo Codificado por Allan Kardec, aquele que nos reconduziu a pureza dos ensinamentos cristãos, longe de regras e dogmas, de paraísos beatíficos e infernos de chamas eternas.

    Façamos nossa parte, que seja no bem, que assim seja!

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

A Porta Estreita


 

Inúmeros são aqueles que vivem sob o critério da postergação, ou seja, adiando aquilo que no momento não quer realizar, ou para tal não está preparado, ou prefere julgar que não está, principalmente, quando aquilo do que abre mão de fazer exige, por suas características, tempo e energia, esforço próprio e disciplina, o que em um primeiro momento é visto mais como uma obrigação do que uma tarefa prazerosa e que trará recompensas ou resultados imediatos.

Muitos, por exemplo, apesar de se sentirem atraídos para a profissão de médicos, quando vislumbram as dificuldades que terão que enfrentar, a capitalização de recursos, quando estes não estão facilmente disponíveis, o tempo da preparação para ser aceito na instituição de ensino, a disciplina que terá que se impor, geralmente, deixando para trás diversões e compromissos sociais, se distanciando naturalmente dos amigos de folguedos, preferem desistir, ou adiar, ou buscar outra profissão que lhe tragam um retorno imediato e que lhe exijam menos teóricos “sacrifícios” para que venha a ser concluída, mesmo que em um primeiro momento se afastem de seus ideais.

Quando isso acontece, corre-se o risco de se estar enganando a si mesmo, convencendo-se de que é tudo “igual”, que mais tarde poderá realizar sua meta, buscando justificativas que corroborem com sua decisão, com sua escolha, ainda que no fundo, sua consciência grite contrária a sua atitude, ou, aos motivos que levaram a toma-la.

Como espíritos eternos, todos nós, por estarmos ainda enfrentando inúmeras dificuldades dos mais variados tipos enquanto encarnados, e no momento estagiando em um mundo de provas e expiações, com certeza nos encaixamos neste grupo, ressaltando, inclusive, que só por este fato, já representa para nós uma significativa vitória, afinal, poderíamos ainda estar na fase de não desejarmos nenhum tipo de mudança para o bem, sendo que hoje, por estarmos aqui juntos, escrevendo ou lendo, pelo menos, já a aspiramos, porém, confessemos, não com a convicção necessária, já que ainda nos escondemos atrás de desculpas e justificativas para o adiamento das atitudes necessárias para nossa efetiva transformação espiritual.

Precisamos estar atentos, entretanto, para não cairmos no erro de nos iludir, de acharmos que teremos tempo para começar, que são válidas nossas razões, nos acomodando na postura inerte de nada fazer para melhorar, ainda que nada estejamos fazendo para piorar.

Existe um ideal a ser alcançado em relação a renovação para o bem, dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Cristo através de seus ensinamentos e exemplos, e precisamos ter consciência que a cada atitude errônea, assim como a cada adiamento, mais nos desviamos do caminho que nos levará a esta conquista.

Somos livres para tal, é fato, ninguém irá nos obrigar a avançar constantemente, porém, não nos será permitido também avançarmos quando e da forma que desejarmos caso não estejamos nos portando de acordo com aquilo que se faz necessário, dentro dos critérios estabelecidos pela Verdade Cristã.

Jesus deixou claro que precisaremos carregar a nossa cruz, e se nossa vontade no momento é estagnarmos, ainda que não estejamos prejudicando a ninguém, não poderemos esperar que a mesma distância seja mantida de nossos irmãos maiores devido ao tempo que desperdiçarmos com a nossa indevida ação.

A vida prossegue de forma contínua, aqueles que hora estão ao nosso lado e que optam por avançar vão construindo novas obras, conseguindo novas conquistas, e para no futuro os alcançarmos, teremos que percorrer os mesmos caminhos que eles percorreram, só chegando até eles quando estivermos no mesmo estágio, o que se tornará cada vez mais difícil, porque o caminhar deles é interrupto, e assim, quanto mais tempo ficarmos parados, mais tempo e esforço teremos que dispor, já que não é justo que eles parem para nos esperar, já que foi nossa opção estacionar e desperdiçar nosso tempo.

Muitos se iludem pelo fato de que, já que são eternos, e que as oportunidades sempre lhes serão dadas, que poderão tomar a decisão de mudar após ter tomado até a última gota do cálice da inferioridade espiritual, sem pressa, sem pressão.

Para isso, gostaríamos de lembrar que a porta do erro é larga e florida, e a do acerto, é estreita e exigirá sempre muito esforço para ser transposta.

Em uma melhor comparação, o desvio que tomarmos do caminho do bem será uma descida que percorreremos em menos tempo e mais facilmente, nos dando prazer e uma enganosa leveza, porém, com o tempo, ela se tornará escorregadia, o que nos levará a tomar diversos tombos e sofrer inúmeras quedas, consequentemente, nos trazendo dor e adversidades.

Poderemos até parar, estacionar, refletir, nos cansar dos erros cometidos, do desvio tomado, porém, para voltarmos ao caminho do bem ninguém poderá nos carregar, não haverá um veículo nos esperando para confortavelmente regressarmos, teremos que ter disposição, vontade, disciplina, porque os primeiros passos ainda serão em um terreno escorregadio, sem esquecer que agora teremos que subir, teremos que percorrer todo o caminho de volta em ascensão, o que exigirá muito mais trabalho e muito mais tempo. É a porta estreita!

Só que Deus é bondade, é Amor, e como diz a Lei, Ele não quer a morte do pecador, mas a sua redenção, por isso também o apóstolo anunciou que o Amor cobre uma multidão de pecados, e desta forma, para retornarmos por este desvio até o verdadeiro caminho da redenção e da evolução, não precisaremos necessariamente sofrer, mas sim trabalhar, nos esforçar, nos sacrificar em prol do próximo, em prol da coletividade onde vivermos, perdoando e sendo perdoando, nos redimindo através do esforço no bem, nos redimindo com nossa própria consciência com suor e as lágrimas do trabalho realizado.

Não há favorecimento ilícito ou privilégio de qualquer tipo na Justiça Divina, e, sempre, sem justificativas ou desculpas que a isso modifique, será dado a cada um exatamente de acordo com suas obras.

Que assim seja!

  

        

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

A dor como ferramenta para o bem!

 




Por vezes somos nós, que capazes de optar, estejamos encarnados ou desencarnados, escolhemos dificuldades, sacrifícios, renúncias, situações complexas e mais difíceis de ser superadas, para que, com determinação e equilíbrio,  venhamos a vencer limitações íntimas, ganhando condições para mais altos voos, maiores possibilidades de aprendizado, e melhoria de nossa situação atual, seja qual for o momento que vivemos e o objetivo que desejamos alcançar.

Para ingressar em uma faculdade muitas vezes o estudante precisa abrir mão do lazer; para vencer uma prova no atletismo, o atleta precisa horas de treino, uma alimentação regrada e uma férrea disciplina contra abusos de vários matizes; para superar uma doença grave, há situações em que o enfermo precisa se entregar a um tratamento longo e doloroso, para que venha a se recuperar e prosseguir sua existência.

Esses são alguns exemplos, no plano físico, de algumas situações, entre tantas outras, que escolhemos por livre vontade a dificuldade, o esforço, a dor, a renúncia, para alcançarmos e vivenciarmos objetivos maiores, visando crescer, sacrificando de alguma forma o presente para usufruir de benefícios futuros.

Assim também é no plano espiritual quando aspiramos ou nos é recomendado o retorno a matéria, quando participamos do nosso planejamento reencarnatório, sugerindo ou acatando sugestões de nossos mentores, para que venhamos a enfrentar, quando voltarmos, dificuldades, sofrimentos, fracassos, perdas, limitações, sempre visando a nossa evolução, sejam nossas necessidades íntimas ligadas a expiações, resgates, provas ou missões.

Muitas vezes, porém, poderemos estar de tal forma enredados em nossos erros e em nossa inferioridade, que mesmo desejando a mudança, a renovação, estaremos por demais frágeis, desorientados, distantes da realidade, não possuindo a capacidade de discernir e escolher por nós mesmos o nosso destino cármico na nova oportunidade física, sendo então auxiliados por nossos mentores maiores quanto a elaboração de nosso plano, quando então eles nos comunicam sobre aquilo que iremos enfrentar, ou, por não ser o melhor para nossa vitória, até mesmo vindo a nos ocultar, a título de nos auxiliar e favorecer quanto a execução, as dificuldades previstas para nossa estadia na carne.

Por vezes esta dor curadora, esta dificuldade, esta expiação das faltas cometidas, além do ressarcimento das dívidas contraídas, são planejadas e impostas pela espiritualidade superior até mesmo contra a vontade do espírito culpado, não tendo a noção nem mesmo que está sendo preparado seu retorno, tal o grau de obscurantismo que domina seu espírito, tal a entrega ao mal, ao inferior, sendo para ele a reencarnação basicamente um ato prisional, em caráter de urgente necessidade, tal o desequilíbrio que gerou para si seus desregramentos e crimes, muitas vezes, até mesmo, sendo esta medida tomada visando proteger e defender suas vítimas e seus  subalternos.

Algo é certo, a dor em geral, seja qual for o caráter que ela assuma em nossa existência física ou espiritual, tem a premissa de ser favorável a nossa individualidade eterna, visando nosso crescimento, nosso refazimento, nosso fortalecimento, nossa renovação, sendo salutar, entretanto, para aquele que sabe sofrer, que sabe suportar de forma heroica e equilibrada, valorizando e vivenciando a postura cristã, sendo humilde, sendo tolerante, sendo pacífico, sendo resignado, não se deixando levar pela revolta, pelo medo, pela dúvida, pelo desânimo, não apontando culpados, mesmo se houver, aprendendo a perdoar, a relevar, a suportar e superar a adversidade, seja ela qual for, lembrando os dois ensinamentos do Mestre que justificam sobremaneira a resignação e a paciência:

 

- Não há fardo superior as nossas forças;

 

- Quem quiser ver o Reino dos Céus que carregue sua própria cruz e O siga.

 

Vivemos em um planeta de provas e expiações o que, por si, já deixa claro a necessidade da dor, do sofrimento, da dificuldade para nele subsistir e evoluir, onde o mal ainda tem uma influência significativa, não só em nosso ambiente externo, em nossas relações, como também em nosso íntimo, oriundo de nossas experiências de outras vidas, fato que nos faz merecer aqui estagiar, quando no passado nos deixamos levar pelos sentimentos inferiores e negativos, fatos geradores de quaisquer dificuldades que no presente precisamos enfrentar e superar.

Não há porque sermos privilegiados, não há porque a dor não nos visitar em diversos momentos de nossa existência sob os mais variados aspectos, seja nos atingindo diretamente ou a nossos entes queridos, porque essa é a finalidade atual de nosso planeta e também a nossa, que atualmente aqui estagiamos, cabendo a cada um a coragem e a força para suportar e superar o que lhe cabe, não esquecendo o lema que ilumina os passos daqueles que buscam no Espiritismo as luzes do Consolador Prometido pelo Cristo, que vem a ser:

 

- Fora da caridade não há salvação!

 

Desta forma, nós espíritas, precisamos ter a consciência que, além de superar as nossas dificuldades, precisaremos ter a capacidade de vivenciar a empatia no mais alto grau, nos colocando no lugar de nossos irmãos do caminho, não julgando, não atirando pedras, e não condicionando de nenhuma forma à materialização das oportunidades que surgirem para que venhamos a auxilia-los em suas dificuldades.

Aprender com a dor e crescer, sempre tendo como objetivo maior a transformação íntima para o bem, vencendo assim de forma definitiva ao nosso passado culposo.

Que assim seja!   

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

O necessário mal!


 

Tudo é criação divina, e assim, fica difícil de compreendermos que o mal é criação do homem e não de Deus, o que seria um contrassenso com a definição que encontramos do Pai Maior dada pelos espíritos e tão bem compilada por Allan Kardec, no Capítulo 1, do Livro I, do “O Livro dos Espíritos”.

Se insistirmos na simplificação desta afirmativa sobre o mal, seremos levados a crer que o homem, em sua insignificância perante a Força Maior que comanda o universo, pode vir a criar algo por ele mesmo, sem a ciência e a participação do Excelso Criador.

O fato de não termos ainda a capacidade de definirmos Deus em sua essência, algo que Kardec deixou bem claro quando o conceituou de acordo com as limitadas qualidades que nosso conhecimento permite enumerar, ainda que as colocando infinitas em sua grandeza, não nos permite colocar o homem como o criador do mal, como se assim, pudesse vir a surpreender a Deus ou algo fazer sem o seu prévio conhecimento e anuência.

O mal existe, e sua criação é o efeito gerado por aqueles que não escolhem para si o caminho do bem, é fruto do livre arbítrio de cada um, até mesmo quando o poder de discernimento ainda distante está de estar plenamente desenvolvido.

A causa é criação Divina assim como o efeito, assim como o agente causador, assim como tudo que pudermos imaginar, porque Deus é a origem de todas as coisas, assim, tanto positivo como negativo fazem parte das ferramentas que as individualidades cósmicas dispõem para aprender, desenvolver, crescer e evoluir.

Essa é a principal razão, ainda que existam outras, de não mais conceituarmos a divindade como cruel, vingativa, punitiva, ou justiceira, Deus sabe exatamente quem somos, e do que somos capazes de acordo com nosso estágio evolutivo e do uso que fazemos da liberdade e do poder de decisão sobre nossas existências que nos é outorgado.

Não há paraísos floridos e contemplativos para os bonzinhos, da mesma forma que não há o fogo eterno para os maus, pois é inadmissível à razão que Deus seja um Pai mais severo e intransigente que um simples pai terreno, onde muitos destes perdoam e dão inúmeras chances para seus filhos por mais que tenham os desobedecido, os magoado, seguido o caminho do erro e do crime.

Se existem na espiritualidade locais tão ou mais sombrios que o inferno de chamas e sofrimentos eternos, comandados por seres por vezes mais perversos que os diabos e demônios, isso não quer dizer que eles lá estejam à revelia, sem a permissão divina, servindo estes locais não para punir para sempre quem tem o destino de lá estar, mas para sirvam de escola, de aprendizado, de local de trabalho, de hospital, dando a cada um, o que de melhor uma situação adversa pode oferecer, e algo é certo, mesmo nestes ambientes, os que servem de agentes da dor e da temporária punição, lá estão também ocupando o seu papel para o processo evolutivo da humanidade como um todo, são também de alguma forma trabalhadores da Seara do Cristo, Governador Espiritual do nosso Planeta.

Os umbrais mais sombrios, aqueles onde estagiam os seres mais atolados na negatividade de sentimentos, com os corpos espirituais muitas vezes danificados, corrompidos, onde se perdem em infinitos embates vítimas e algozes, aliciadores e aliciados, comandantes e comandados, feitores e escravos, são formados e delimitados pelos seus próprios moradores, por suas criações mentais, por aquilo que consciente ou inconscientemente escolhem e determinam para si com suas ações, com suas escolhas, acreditando que ali merecem permanecer, que ali é o local onde darão continuidade aquilo que construíram e escreveram até então dos seus destinos.

Por mais sombrio e por mais pesado seja o ambiente da espiritualidade inferior, ali a ajuda Divina se faz presente, ali espíritos dedicados ao bem agem, buscando sempre a melhoria e a transformação dos que estagiam no erro, sendo, inclusive, em sua grande maioria, trabalhadores egressos do próprio meio, que, já em recuperação, geralmente, se voluntariam tanto para ajudar aos que como eles erraram, como também, para evitar que outros venham a errar, ou agravar seus erros como eles mesmos procederam em recente passado.

O mal é tão necessário para a evolução humana como o bem, porém, como esclarece o ensinamento evangélico, ai daquele que for e insistir em ser seu instrumento, ainda mais para aquele que já teve inúmeras oportunidades de adquirir o conhecimento do que é certo e do que é errado, do que é superior e do que é inferior, tanto que o Mestre também afirma que muito será cobrado daquele que muito recebeu.

Muitas vezes para os presídios humanos se faz necessário que guardas mais preparados e capazes sejam os responsáveis pela contenção dos presos, conhecedores de suas linguagens, de suas artimanhas, de suas necessidades, para que o período que se fizer necessário suas estadias, venham a ser, de fato, úteis para que reflitam e avaliem seu proceder, abrindo espaço para que foquem naquilo que precisam mudar, não mais tendo a liberdade para agravar ainda mais seus débitos, ou fazer sofrer com as consequências de seus atos a outros irmãos do caminho que por isso não tenham que passar.

Tudo é temporário quando o sofrimento e a dor estiverem presentes, e nada é imerecido ou por acaso, fazendo parte do processo regenerativo, de acordo com o livre arbítrio de cada um, respeitando-se o espaço alheio, e o direito da sociedade como um todo de também evoluir, de também se transformar, inclusive sendo este o objetivo maior de nosso planeta, vindo a alcançar um novo degrau, um novo estágio, um novo patamar, assumindo o papel de um Mundo Regenerador, onde a intenção e a ação no Bem passarão a serem fatores determinantes para todos que aqui permanecerem.

Que assim seja!    

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Nova Psicografia


MENSAGEM RECEBIDA VIA PSICOGRAFIA EM NOSSA REUNIÃO DA SOCIEDADE SANTISTA DE ESTUDOS ESPÍRITAS EM 30.07.2018

Que Jesus os ilumine hoje e sempre!

Gostaria de um pouco contribuir com o que aqui foi dito, com um breve relato da minha última existência no Plano Físico, quando me fazia de juiz e de governador, não só com os meus filhos e com minha esposa, mas também com os meus amigos e com quem eu tinha algum tipo de contato, pois, sempre me julguei superior aos demais irmãos do caminho, e assim, nunca deixei de fazer o que achava certo, e o pior, queria que todos fizessem exatamente o que eu desejava que fizessem.

Foi um tempo de sorrisos e brincadeiras, já que sempre fui muito bem humorado. Fui uma pessoa de bem, mas achava que o bem era exatamente da forma que eu pensava que devia ser, pouco consciente que existem diferenças evolutivas, e principalmente, diferenças nas formas de agir e de pensar.

Era uma pessoa muito preconceituosa, não admitia quem usava drogas, quem se tatuava, quem era homossexual, não admitia o divórcio, não respeitava as mulheres divorciadas, para mim mulher não devia trabalhar fora, e nem mesmo se aprofundar nos estudos, não aceitava relacionamentos entre pessoas brancas e negras, e não concebia que pessoas de baixa renda e de classes sociais inferiores viessem se imiscuir na política.

Bandidos deviam ser simplesmente mortos, todos eles, e não concebia que alguém não fosse honesto, ou não tivesse honra, que não cumprisse com a palavra dada, que promessas não fossem cumpridas.

Ricos eram ricos e pobres eram pobres, mesmo que em meu tempo, como hoje, existissem leis que mascaravam essas diferenças sociais, porque mesmo quando não mais existiam títulos a diferenciar classes, muitos ainda se julgavam superiores no sangue, isolados em sua casta.

Assim, foi apenas aqui, no plano espiritual que aprendi, no trabalho, no exemplo dos meus mentores e amigos mais esclarecidos a entender o quanto minha sabedoria era diminuta, por mais que a julgasse grandiosa, afinal, como ser uma pessoa do bem aquele que se coloca em um pedestal inatingível de juiz e de censor, achando que tudo sabe, e que nada tem a aprender, que sabe o que é bom e o que é ruim, o que é certo e o que é errado?

Assim, na companhia de meus amigos, me disciplino todos os dias para não me esquecer, tendo como lema para mim, o que disse o Mestre Jesus no alto da Cruz, mudando apenas a pessoa e o tempo do verbo:

- Pai perdoai, porque eu, ainda hoje, não sei o que faço!

Mas, quero e vou aprender porque agora tenho como lema e estímulo, uma palavra que representa um dos mais importantes sentimentos, que está fixada em uma plaquinha sobre o leito onde descanso, para não esquecer, para aprendê-la e passar a vivê-la:

- Humildade!

Busquem também compreendê-la em sua essência e tenham-na sempre em vossos corações.

Carlos, seu amigo!