quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Na luta...










A Doutrina Espírita nos trouxe uma nova e extasiante visão da Vida. A certeza da pluralidade das existências onde poderemos resgatar nossas faltas, nos permitindo saber que a convivência com aqueles que são, de fato, nossos entes queridos será eterna, que poderemos estar sempre juntos, mesmo que em planos diversos, que nesta eternidade de oportunidades reencarnatórias poderemos adquirir todo o conhecimento que desejarmos e ansiarmos, já cientes que vivemos outras vidas e que muitas outras ainda teremos, onde nós mesmos escreveremos com nossos atos, nossas escolhas o nosso presente e o nosso futuro, que todas as dificuldades que possamos estar enfrentado hoje são meras consequências de nossas decisões anteriores, aproveitando-as assim de ensinamento e preparo para novos e importantes desafios que ainda nos aguardam, nos proporcionando o equilíbrio e a paz para que saibamos aproveitar cada momento, mesmo que de dor, para avançarmos, nos fortalecermos, aprendendo a cada dia a nos tornarmos efetivos artífices do nosso próprio destino.


O conhecimento doutrinário, entretanto, não pode nos tornar meros cumpridores de obrigações, como um assalariado que sai para trabalhar todos os dias, sabendo que, se realizar suas tarefas de acordo com o que se espera dele, receberá ao final seu salário, sua recompensa.


Não podemos nos subordinar a atitudes e escolhas estudadas e mecanizadas, falseando externamente quem somos, apenas por saber como devemos agir para conquistar os nossos objetivos, no caso, uma recompensa futura de uma vida tranquila e longe de sofrimentos quando do retorno ao plano espiritual.


Evidente que quando estamos na fase inicial de adaptação à nossa transformação espiritual, precisamos nos policiar e nos disciplinar para não mais nos deixar arrastar por nossos instintos e sentimentos inferiores, para não mais recalcitrarmos, não mais repetirmos os mesmos erros, devemos até mesmo evitar pessoas, locais, situações, que poderiam facilmente nos arrastar aos nossos antigos hábitos, fazendo com que rapidamente se apagasse a indecisa chama representativa do nosso desejo íntimo de renovação e mudança para o bem.  


Precisamos estar cientes, entretanto, que nossa transformação espiritual não pode funcionar como moeda de troca, ou seja, por estarmos deixando para trás nossos vícios, por não mais estarmos cometendo erros, por algo já estarmos fazendo em prol de nós mesmos e do próximo, até mesmo já participando de forma efetiva das lides cristãs, que nossa vida daqui para frente será baseada em momentos felizes, que não mais sofreremos reveses, que seremos recompensados por nossos esforços, que tudo de bom que a vida nos reserva ou poderá nos reservar será concedido, ainda mais, quando nossa mudança se baseia especificamente nesta intenção, da espera da gratificação ”salarial” pelos serviços prestados.


Precisamos estar conscientes que promover a nossa renovação, a nossa transformação espiritual para o bem, não é um favor, não é um serviço prestado, é uma obrigação, mas não uma obrigação a ser cumprida para os nossos protetores espirituais, para Jesus, para Deus, mas é uma obrigação para conosco mesmo, para o nosso crescimento, para a nossa evolução, e o fato de estarmos dando os primeiros passos de uma longa caminhada, onde até agora, por nossa vontade, tínhamos escolhido ficar estagnados, parados, não quer dizer que estamos livres dos obstáculos, das quedas, dos acidentes, dos assaltos que a jornada ainda nos reserva, ainda mais pelas consequências dos nossos erros que plantamos no caminho quando dela insistíamos em nos desviar, por atalhos que só nos distanciavam ainda mais do destino.


Nossa renovação espiritual é uma ação íntima, que visa nos fortalecer, nos equilibrar, remodelando nossa postura, a nossa forma de encarar a vida, os problemas, as situações, as pessoas, é um renovação de prioridades, de preferências, onde os conceitos cristãos passam a suplantar os desejos meramente humanos, onde o amor, a fraternidade, a bondade, a sinceridade, a humildade, o respeito passam a ser os sentimentos que norteiam todas nossas escolhas, nossas ações, nossas reações frente às situações que a vida nos apresentar, e é sabido, pelo atual estágio evolutivo deste planeta, que quem escolhe para si esta forma de agir estará propenso a encontrar sérias dificuldades de relacionamento, pois passa a esta sujeito ao escárnio, a traição, ao desprezo, a humilhação, por parte daqueles que ainda supervalorizam o orgulho, a vaidade, a inveja, a prepotência, a arrogante postura de se considerarem mais fortes, mais corajosos, superiores aos demais.


A transformação espiritual está baseada puramente em sentimentos, e estes não se aprendem nos livros, não podem ser adquiridos em palestras, em estudos, onde só encontraremos o caminho, a rota, mas nunca a efetiva mudança.


Não adianta nos mostrarmos transformados, aparentarmos posturas, demonstrarmos nas palavras e nas atitudes aquilo que esperam de nós, e que nós mesmos esperamos, se, de fato, em nosso íntimo, ainda somos os mesmos mascarados, os mesmos atores, enganando ao próximo, e principalmente, a nós mesmos.


A batalha é árdua, mas é humanamente possível de ser vencida. O caminhar é difícil, mas pode e deve ser contínuo, firme, disciplinado, persistente, porque é certo que chegaremos ao nosso destino, e o melhor de tudo é exatamente isso, que pelo amor e pela bondade divina, seremos exatamente nós mesmos, com nossa própria vontade, que determinaremos quando e de que forma completaremos nossa jornada.      



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