quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Aproximando a razão da fé!


 

Praticamente todos os cultos e religiões da Terra, desde as mais remotas até as mais atuais, baseiam-se na reta conduta, no realizar o bem, evitar o mal, com castigos e punições para aqueles que desviam dos seus preceitos e normas de conduta e recompensas para os que agem de forma correta e de acordo com o ideal religioso que defendem e acreditam.

Jesus Cristo veio até nós para traduzir todo esse bem, dinamizando-o através de seus ensinamentos e exemplos, revertendo antigas concepções, trazendo toda a pureza e a grandeza do poder inquestionável do amor absoluto e amplo, ensinando a perdoar aos inimigos e com eles nos reconciliarmos enquanto no caminho terrestre, aprendendo a reconhecer os próprios erros, buscando na caridade, no respeito, na humildade, encontrar o verdadeiro caminho que leva a remissão de todas as faltas e a novas oportunidades de encontrar a porta que franqueará a evolução espiritual. Não mais o olho por olho e dente por dente e sim o amor incondicional, a tolerância, a paz, a igualdade, a fraternidade, a humildade.

Ainda hoje o Mestre não é unanimidade, vários povos e religiões não admitem sua superioridade, sua representatividade divina perante a humanidade, preferindo se prender a leis e a dogmas antigos, não acompanhando a evolução gradativa para o bem, a lógica das necessidades da inteligência, fazendo com que as descobertas científicas minem aos poucos seus conceitos, afastando seus discípulos e seguidores, fazendo com que o número de fiéis diminua e os que permanecem, infelizmente, passam a agir de forma reservada ou fanatizada, perdendo a oportunidade de melhorar, de progredir, preferindo um combate inconsequente e irreal, em vez de buscar aliar a moral, a religiosidade, a espiritualidade, à ciência.

Isso, infelizmente, acontece também como diversas frentes religiosas que tem o Cristo como parâmetro para seus conceitos, quando preferem monopolizar seus ensinamentos, traduzindo-os e incorporando-os de acordo com seus interesses imediatos e geralmente mesquinhos, apequenando o sentido real da missão do Mestre, deixando de levar aos seus seguidores toda a amplitude conceitual do amor a Deus a ao próximo como a si mesmo, de não fazer a ninguém o que não querem que façam para eles e fazer para os outros, tudo aquilo que gostariam que os outros lhes fizessem.

Difícil hoje em dia para aqueles que se dizem cristãos seguirem seus ensinamentos, principalmente, os que vão de encontro com seus interesses individuais ou contra princípios que alimentam baseados no orgulho, na vaidade, no preconceito social ou racial, tão vivo ainda entre as populações do mundo moderno.

Difícil alguém não sorrir incrédulo ou destilar criticas e comentários desairosos quando solicitado que ofereça a outra em face à quem lhe feriu, que perdoe não sete, mas, setenta vezes sete, que não julgue para não ser julgado, que não atire a primeira pedra caso também tiver algum erro de que se envergonhe.

Muitos se intitulam juízes, censores, acusadores, ao mesmo tempo que buscam numerosas justificativas para isentarem seus erros e suas quedas, sempre olhando a palha no olho do irmão do caminho e não enxergando uma trave nos seus, sempre valorizando os títulos, as riquezas, as posições sociais, o poder, em detrimento a bondade simples do samaritano, a pobre viúva que contribuiu com o que tinha, a simplicidade, a humildade, a pobreza honesta, a sinceridade, a ética, o respeito, a moral, menosprezando aos que se apresentam ante sua pretensa superioridade com os pés descalços e com a sua roupa surrada, rindo dos que mal sabem ler e escrever, dos que mal sabem falar duas palavras seguidas de forma correta, ou que nada conheça de seus modernos aparelhos tecnológicos.

Preferem a força à bondade, a riqueza à honestidade, a esperteza à sinceridade, quando o bom passa a ser visto como um fraco e aquele que tem fé e acredita em Deus como um pobre coitado, preso a velhas superstições.

Infelizes, ingratos, inconsequentes, vaidosos e orgulhosos demais para admitir a justiça e a bondade divina, os ensinamentos, os exemplos, a renúncia e o sacrifício do Mestre Jesus, e todo seu esforço para que compreendessem o único caminho, a única verdade, que poderá os levar a real existência e a jornada evolutiva para qual, todos estão destinados, que tem o bem como premissa e o amor como unicidade de sentimento.

A bondade do Cristo, sua superioridade inconteste frente a todos os demais seres que povoaram e povoam atualmente nosso planeta, encarnados ou desencarnados, vem se afirmar com o advento prometido do Consolador, através do Espiritismo, da Doutrina trazida a todos pelo esforço e dedicação de valorosos trabalhadores que em Seu Nome, vieram ao plano físico para implanta-la e explana-la, entre eles, Allan Kardec, seu Codificador, que com sua disciplina, sua coragem, seu discernimento, sua humildade, sua imparcialidade, sua inteligência, sua lógica irrefutável, conseguiu reunir e organizar todos os preceitos que vieram completar e explicar o que o Mestre Jesus, quando de sua passagem pela Terra, não pode claramente expressar, devido a ignorância dos homens do seu tempo.

Agora sabemos e compreendemos que a morte não existe; que os castigos e as punições variam de acordo com nossa culpa e são impostos por nossa própria consciência, que somos nós que determinaremos o tempo e a intensidade com que os sofreremos; sabemos, também, que tanto o sofrimento quanto o mal, não são eternos, irremediáveis, que durarão exatamente o tempo que levar para compreendermos que somos artífices do nosso destino e que está em nossas mãos a oportunidade de remissão, de corrigenda, de transformação, da correção de nossos erros, do resgate de nossas dívidas, aprendendo a auxiliar aos que prejudicamos, perdoando aos que nos prejudicaram, aprendendo e trabalhando para que através do amor, consigamos cobrir uma multidão de pecados e com isso crescermos, evoluirmos, caminhando para frente, sem mais a desilusão das penas eternas, do sofrimento infinito, sem demônios, sem infernos, mas com a companhia daqueles que com quem nos juntamos por afinidade, por cumplicidade, por necessidade, até encontrarmos de forma definitiva o caminho que nos levara ao bem, ao recomeço, na certeza que nunca a porta estará fechada, bloqueada para aquele que, com vontade, com esforço, com coragem, com determinação, reconheça sua inferioridade e busque, sinceramente, sua superioridade, almejando o máximo, já que é o máximo que Deus, nosso Pai, possibilita a cada uma de suas criaturas.

Somos e seremos sempre os heróis e os vilões de nossa existência, nós que determinaremos se vamos sofrer, se vamos conquistar, se vamos destruir, se vamos realizar, se vamos amar ou odiar, se seremos amados ou odiados, se teremos amigos ou inimigos, vivendo de acordo com o que criarmos para nós mesmos, colhendo exatamente sempre o que plantarmos, de acordo com nossas escolhas, com nossas decisões.  

domingo, 19 de novembro de 2023

Em frente!




O brilhantismo na defesa dos conceitos no qual se acredita, ainda mais os plenamente justificáveis quando os que assim o fazem são cristãos, são espíritas, o esforço destes no estudo sistemático da Doutrina que os guia, a compreensão, decorrente desta postura, das dificuldades da vida encarnada, e as diferenças existentes de personalidades, originárias da lei da causa e efeito, da reencarnação, que faz com que convivam com seres das mais variadas fases evolutivas, os tornam altamente capacitados para combater a inferioridade humana, os sentimentos negativos, os vícios, as paixões degradantes, contribuindo para que o bem venha a prevalecer, tendo a oportunidade de influenciar a todos aqueles com quem tem a oportunidade de conviver, em uma troca de conhecimentos, de desejos e prioridades, onde cada um tem a chance de algo aprender e algo ensinar, em um compartilhamento constante de experiências, quando estas trazem em si a potencialidade de transformação espiritual para o bem.

Entretanto, ainda que ao deter o conhecimento, mais aptos nos tornamos para não mais recalcitrar, para não reincidir em reconhecidas posturas indevidas, o véu do esquecimento que nos acompanha quando encarnados, poderá fazer com que venhamos a alimentar outros tipos de sentimentos que nos distanciem do caminho da evolução espiritual, quando poderemos nos deixar levar pela vaidade, pelo orgulho, pela cobiça, pelo medo, pela dúvida, desperdiçando assim um tempo e uma energia que tendem a limitar nossa capacidade realizadora, vindo a mais uma vez falir em nossos objetivos maiores quando encarnados.

Para sermos, de fato, espiritas cristãos, a disciplina quanto a forma pela qual agimos e reagimos em nossas questões diárias, será fator preponderante para a vitória almejada, pois não é apenas nas etapas capitais da nossa existência que precisamos externar nossos sentimentos no bem e em prol do próximo e da sociedade onde vivemos, mas sim em cada escolha, em cada ato, em cada palavra, em cada pensamento que fazemos nascer em nós.

Como a uma cartilha, ou a um manual de procedimentos, nos atemos muitas vezes mais ao que esperam que venhamos a fazer pelo título que detemos, do que, em verdade, nossa mente e nosso coração desejam que seja feito, agindo, sim, talvez, de boa fé, mas sem focar de forma incisiva aos resultados e aos objetivos que deveriam nortear nossas existências, vindo a cair, mesmo que de forma disfarçada, no mundanismo que atualmente comanda as ações no plano físico.

Somos espíritas, mais aguardamos agradecimentos ou reconhecimento pelo que de alguma forma externamos ou fazemos, somos cristãos, mas em um difuso senso de justiça, julgamos e condenamos os nossos irmãos do caminho, ainda mais àqueles que de alguma forma nos prejudiquem com suas ações, sem nos ater aos conceitos básicos que o Mestre nos trouxe relativo ao perdão e a não valorização da falha alheia em detrimento e esquecimento das nossas.

Estamos sempre prontos para ajudar desde que o tempo utilizado para nossa vida diária não venha a ser corrompido, ou seja, desde que não tenhamos nada mais “importante” a fazer, seja a título de trabalho, de estudo, de lazer, colocando sempre em primeiro lugar aquilo que de alguma forma nos beneficiará no que diz respeito a vida encarnada, ao conforto material, e tudo mais que a sociedade moderna hoje supervaloriza.

A cada um será dado segundo suas obras, preconizou o Mestre Jesus, entretanto, quem valoriza, quem determina o que, de fato, venha algo acrescentar a nossa evolução individual e espiritual, não é o nosso desejo, ou o que determinamos como prioridade, mas sim, a própria Força Maior que a tudo comanda, apenas a Ele pertence o real valor de cada minuto de nossa existência, o quanto realizamos com desprendimento, com caridade, com renúncia, com humildade, com amor, sem nos deixar arrastar por nenhum outro sentimento que nos leve ao materialismo e a sensualidade das paixões que ainda fazem parte da inferioridade humana.

Por vezes, mais vale uma simples palavra de afeto, do que uma grande soma de dinheiro ou uma significativa ajuda material, vale mais um minuto de amor e dedicação, do que horas de atividades que nada mais visam do que a satisfação do ego, da vaidade, do orgulho, ou qualquer outra intenção que não se coaduna com o mais puro sentimento cristão.

Reflitamos quem somos, o que fazemos, o que nos motiva, o que priorizamos, o que sentimos, e o que poderemos fazer para a cada dia mais nos aproximarmos do ideal divino da perfeição a qual o ser humano, espírito eterno, pode almejar chegar.


Em frente...      

quinta-feira, 18 de maio de 2023

As leis individuais, as leis humanas e a Lei Divina!

    


 


    Todos somos espíritos eternos, e um dos principais benefícios que a Codificação Espírita nos trouxe, foi a comprovação da vida após a morte, como é essa continuidade, assim como a lei da reencarnação atualizada, já que dela se fala desde os mais remotos tempos, simplificando-a e explicando-a, caminho pelo qual todos já percorremos há inúmeros séculos, cada um de acordo com suas escolhas, com suas necessidades e prioridades.

    Assim, por toda essa bagagem que carregamos decorrente do aprendizado, do trabalho, das experiências vividas, a nossa personalidade já possui uma base, uma forma, as características principais que a acompanham, e ao renascermos, mesmo encobertos pelo véu temporário do esquecimento, ainda que infantes, que ingênuos, ignorantes ainda das coisas da vida em nossos primeiros anos encarnados, o nosso ser eterno estará ali, adormecido quanto a fatos passados, mas, plenamente atuante em termos de gostos e tendências, para  bem ou para o mal, de acordo com aquilo que até então valorizamos no caminho percorrido, já que a lei é para todos, ou seja, somos quem somos, somos o que construímos ao longo do tempo, e o que disso carregamos em nosso íntimo.

    Tendo essa personalidade como base de que seremos na atual existência física, a ela serão agregados os valores que formos recebendo, os fatores externos, como a educação no lar, quando o possuirmos, já que há irmãos do caminho que são criados em instituições, como a instrução escolar, como os ambientes à nossa volta, as pessoas com quem conviveremos, os amigos, as situações sociais, entre inúmeros outros agentes influenciadores na nova personalidade que estaremos construindo, ou seja, quem fomos e somos decorrente de outras vidas, mas o que atualizarmos nesta nova existência.

    Ninguém é igual a ninguém, isso é fato, da mesma forma que cada um atravessa um estágio evolutivo diferenciado, um momento único, assim, decorrente de tudo isso, e das situações e experiências que a cada minuto vamos vivenciando, formamos o nível de discernimento que rege quem somos, ou seja, criamos um código de conduta individual, e desta forma, algo independente do grau de aceitação e obediência que pudermos ter das leis humanas, onde cada um de nós acaba, mesmo que inconscientemente, criando as próprias leis, aquilo que acha bom ou ruim, certo ou errado, e isso em nosso íntimo, sendo este código aquele que seguimos em nossas escolhas e julgamentos, mesmo que não externemos, mesmo que nos utilizemos das normais máscaras sociais no nosso dia a dia, na relação com os diversos grupos que fazem parte de nossa existência.

    Precisamos fazer apenas uma breve observação, mas importante para a continuidade de nosso estudo de hoje, que vem a ser o fato que vivemos todos em um mundo onde o inferior ainda predomina, em um mundo de provas e expiações, e aqueles de nós que aqui não estão em esclarecedoras e divinas missões, precisamos admitir que ainda são constantes as batalhas contra a negatividade de sentimentos, aqueles que ainda prevalecem em nosso íntimo, mesmo que relutemos em admitir.

    Dito isso, fica claro que, por mais que nos consideremos bons e justos, por mais que julguemos saber o que vem a ser o certo e o errado, por mais que venhamos nos escorar em desculpas e justificativas, fato é que as nossas leis individuais, o código de conduta que criamos para nós, lembrando que ele é composto do que carregamos de outras vidas e do que agregamos até agora desta, mesmo que em nenhum item, o que já é bem difícil, venhamos a ferir nenhum item da legislação humana, precisamos admitir, que em muito é antagônico e contraditório em relação as leis divinas, as leis cristãs.

    Caridade, humildade, perdão incondicional, reconhecimento dos próprios erros, bondade, disciplina, respeito, aceitação das diferenças, entre tantos outros exemplos e ensinamentos que o Cristo nos trouxe, são requisitos mínimos para que venhamos alinhar as nossas leis individuais, com as leis humanas, e principalmente, as leis divinas.

    Assim, precisamos nos esforçar para estudarmos e conhecermos as leis maiores, a avaliar quem somos e em quem precisamos nos tornar, e até lá, neste período, que aprendamos a ter um pouco mais de humildade, de empatia, para entender e reconhecer, que por mais que saibamos, nada sabemos, que não somos os donos da razão, que nossas experiências não sã a base para a verdade, para o que é certo ou errado, que não temos todas as respostas para a felicidade, e todos os remédios contra a infelicidade, entender que não podemos impor ideias ou condutas, da mesma forma que não podemos admitir que nos imponham ou vir a aceitar sem questionar e discernir.

    Precisamos viver não como sempre vivemos, não de acordo com o que nossos pais achavam ser o certo e o errado, não como as coisas eram no nosso tempo, porque o nosso tempo é hoje, precisamos viver de acordo com o Cristo, algo que muitos já acham que o fazem, mas não o fazem, porque o que nos define além de nossas palavras e de nossas atitudes, são os nossos sentimentos, e basta ler a passagem evangélica quando os apóstolos discutiam para ver quem era o primeiro no Reino de Deus, para compreender, ao ver o Cristo lavar aos seus pés, o valor da humildade, e o que, de fato, o Mestre espera de cada um de nós, e o quanto ainda disso estamos distantes.

    E assim vamos indo, ainda que só na intenção, no caminho do bem!

    Fiquemos em paz!

domingo, 11 de dezembro de 2022

Estamos preparados para morrer?

 

 


Estamos preparados para morrer? 

Por mais que as circunstâncias que estamos vivendo no plano físico estejam apontando e nos direcionando para o desencarne, seja pela idade avançada, por doenças terminais, por riscos que estejamos assumindo, nenhum de nós está, de fato, preparado para enfrentar equilibradamente e sobriamente a morte.

Daqueles que seguem a Doutrina Espírita, que a estudam, que a debatem, que trabalham e desenvolvem a mediunidade, que participam de atividades de intercâmbio espiritual, de assistência ao próximo, orientando ou sendo orientados sobre a continuidade da vida após a morte, da pluralidade de existências, de mundos, da lei da causa e efeito, por mais que recebam mensagens daqueles que já os antecederam ao túmulo, seja parentes próximos ou desconhecidos, por mais que já tenham uma ideia do que encontrão no plano espiritual, as possibilidades de estudo, de trabalho, as necessidades de resgate e expiação, difícil que venham a afirmar, categoricamente e de forma plenamente segura e honesta, que já estejam preparados para desencarnar e que não temem a morte física.

Mesmo com este receio, com esta preocupação, o espírita não pode se deixar levar pela dúvida ou pelo medo, sua fé, alicerçada na razão, deve prevalecer e o encorajar para enfrentar esta situação logo que ela se torne inevitável, mantendo-se em constante vigilância, em constante preparo, o que fará que esteja mais habilitado e capacitado para superar este momento e a consequente readaptação no plano espiritual.

Importante sempre ressaltar que para estarmos plenamente equilibrados e cônscios do momento que estaremos enfrentando, não bastará apenas conhecer os parâmetros, as circunstâncias, faz-se necessário, acima de tudo, termos vivenciado e solidificado nossas atitudes, palavras e pensamentos, ainda quando encarnados, de acordo com o verdadeiro sentimento cristão, os conceitos e preceitos espíritas, baseados no bem, no amor ao próximo e a Deus.

A readaptação ao plano espiritual para aquele que desencarnar, mesmo que seja ateu, ou totalmente avesso a ideia da continuidade da vida após a morte, será sempre menos traumática, se viveu no bem, se viveu com a caridade pura no coração, se domou e dominou seus instintos inferiores, do que para aquele que, mesmo se intitulando espírita, cristão, apesar de todo conhecimento e estudo, viveu de forma egoísta, arbitrária, que não colocou na prática, nas lides diárias, os preceitos que defendeu e que ensinou, fazendo-nos lembrar, sempre, da parábola do bom samaritano ou a do óbolo da viúva, onde Jesus deixa bem claro que o maior será sempre aquele que se fizer menor, que títulos ou nomeações de nada valerão se não tivermos amor no coração, se não formos caridosos com o próximo, se não perdoarmos as ofensas, se não nos reconciliarmos com nossos inimigos.

Sem dúvida, entretanto, aquele que teve a oportunidade de conhecer e vivenciar a Doutrina Espírita quando encarnado, e que a vivenciou em toda sua pureza, aliando a teoria à prática, terá condições maiores de compreender sua situação após o desencarne, e, assim, mais prontamente recuperar seu equilíbrio e o domínio sobre seu livre-arbítrio, sobre a situação que se encontra, podendo almejar novas condições, voltadas para novas oportunidades de estudo e de trabalho, não perdendo o tempo que aquele que não consegue entender a situação leva para aprender, para compreender e aceitar sua nova condição.

Maior, portanto, se torna a responsabilidade do espírita em levar a seu irmão do caminho os conceitos e os preceitos da Doutrina, não esperando simplesmente que a oportunidade de instruir venha até ele, mas, que tome a iniciativa e vá ao seu encontro, que não desperdice as oportunidades de dividir o conhecimento adquirido com o próximo, não se esquivando de contribuir, levando os conceitos cristãos, doutrinários para os que se encontram predispostos a ouvi-lo, para aqueles que têm a mente aberta e a vontade de melhorar, de evoluir, ciente que cada um de nos deve fazer a sua parte e que Deus saberá sempre reconhecer o esforço do sincero trabalhador de sua seara.

Nosso dever é fazer o bem e seguir adiante, e será sempre egoísta aquele que detém o conhecimento e não o dividir, não importando em qual justificativa se escore para manter esta postura, porque a cada um, conforme sentenciou Jesus, será dado segundo suas obras, e também, deveremos considerar que cada um deixará de receber por aquilo que poderia ter feito e não fez.

terça-feira, 18 de outubro de 2022

Educando nossas crianças!



 

“Educando nossas crianças!”

Vamos falar um pouco da importância que temos, de acordo com o Espiritismo, de educar bem as nossas crianças, começando por destacar um pequeno trecho do Livro Lázaro Redivivo, do autor espiritual Irmão X, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier:

“O amor, para educar, não prescinde da energia, e a ternura, por mais valiosa, não pode dispensar o esclarecimento.”

Antes de comentarmos sobre as necessidades e prioridades quanto a educação de nossas crianças, precisamos lembrar da lei da reencarnação, lembrando que todos nós já tivemos diversas existências passadas, e desta forma, as almas delas já passaram por diversas experiências, cada uma carregando sua própria bagagem, sua personalidade, e claro, suas tendências.

Mas, independente destas tendências, o período infantil, e este é um dos principais motivos segundo a Doutrina que ele se faz necessário, decorrente do véu do esquecimento que nos acompanha quando reencarnamos, é a fase onde o espírito se encontra mais maleável para sofrer influências, pois depende da proteção e da orientação dos pais, podendo receber significativas motivações íntimas para crescer no bem, valorizando a moral, a ética, o respeito, vindo a superar e dominar, quando for o caso, sentimentos negativos que carrega consigo em sua personalidade eterna, tendo a chance de renovar sua postura, onde o ambiente, os exemplos e a educação recebida serão de fundamental ajuda, ainda que saibamos que muitos, mesmo com as melhores condições, ao irem crescendo, prefiram se entregar a vícios, paixões, e atitudes negativas e inferiores.

Os pais devem sempre buscar fazer a sua parte, pois sua atuação é fundamental para que a criança cresça com todas as possibilidades de evoluir no bem, sendo ele a base na qual ela se sentirá segura quando chegar a hora de enfrentar o mundo e buscar por si todo o aprendizado que ele traz.

 Para isso, se faz necessário que os pais assumam posturas que venham de encontro ao trecho que destacamos no começo do nosso estudo, onde o amor e a ternura são essenciais para o êxito desta sublime missão, porém, sem abrir mão da disciplina e do esclarecimento constante na formação do discernimento infantil do que vem a ser o certo e o errado, do que vem a ser a postura correta e a indevida.

Os pais precisam ser enérgicos quando necessário, não sendo permissivos, porém, nunca recorrendo a castigos, principalmente os físicos, nada negando ou permitindo sem a devida explicação, para a criança entender o porquê das coisas e das situações, os pais precisam entender e respeitar a inteligência de seus filhos, não menosprezando a capacidade que eles têm de compreensão, se preocupando em dizer tanto o sim como o não na hora certa, de forma justificada, e não por razões fúteis, com o para não serem perturbados, por estarem cansados, para não perderem tempo ou para não parar algo que estejam fazendo de pouca importância.

A criança precisa de regras, de limites, de saber esperar, precisa ter a noção de seus direitos e de seus deveres, porém, que tudo seja levado a ela de forma pacificada, com amor, com ternura, não devendo os pais barganharem com seus filhos, impondo condições, ou prometendo recompensas, principalmente se for para que eles venham cumprir seus deveres.

Como pais também não devemos estar sempre exigindo que elas nos sejam gratas, que reconheçam nossos esforços, não devemos nos vitimizar, colocando-as como a causa de nosso cansaço, de nossas preocupações e problemas, não supervalorizando ou depreciando situações.

A criança precisa viver em um ambiente saudável, ela precisa brincar, ser feliz, precisa da companhia dos pais, quando possível de seus avós, de sua família, de seus amigos, quando necessário ou já em idade escolar, de seus professores, lembrando sempre que a tarefa de educar é principalmente dos pais e de levar conhecimento dos professores, deixando claro que tanto um como o outro, podem e devem de alguma forma também auxiliar, complementar a parte do outro, tanto os professores na educação, como os pais no aprendizado.

Quanto mais cedo os pais conseguirem fazer nascer na criança o sentimento da empatia, mas cedo seus filhos irão respeitar aos seus amiguinhos, aos seus professores, e a todos, pois, terá o conhecimento que todos tem os mesmos direitos que ela, assim como os deveres, que ela não é superior e nem inferior a ninguém, que deve tratar a todos com bondade e carinho, até mesmos os profissionais que poderão fazer parte de sua vida, com a empregada de sua casa, o porteiro de seu prédio, os funcionários de sua escola.

Todos nós, como pais, também nos beneficiaremos da empatia, buscando sempre recordar de quando éramos criança, os nossos anseios, aquilo que nos despertava a atenção, o que nos gerava receios, nos trazia alegria, para que venhamos a enxergar melhor nossos filhos, não com isso querendo que eles passem por tudo da forma que passamos, mas sim, para que venhamos a compreendê-los melhor, auxiliando-os em suas escolhas e suas posturas.

  Precisamos estar atentos para acompanharmos o crescimento de nossas crianças no tempo certo e real, as auxiliando em não queimar etapas, ainda mais no ritmo acelerado que tem se tornado a existência humana, e também não os infantilizando, não os tratando como se ainda não tivessem crescido, como se não fossem capazes de novas realizações, buscando sempre o equilíbrio, sem temer que venhamos a perdê-los se crescerem, principalmente, porque eles sempre crescem.

Para finalizar, sabemos que eles deverão ter sempre o direito e o dever de escrever seus próprios destinos, de fazerem suas escolhas, inclusive sobre sua religiosidade, mas temos o dever de lhes apresentar desde pequenos a Deus, as leis morais, e nós, como espiritas, de acordo com a compreensão que forem adquirindo, a lei da causa e efeito, da reencarnação, e claro, que venham a conhecer, na essência, os ensinamentos do Cristo, a importância da caridade e do amor ao próximo.

Façamos a nossa parte, no bem!

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Definindo Prioridades

    


 São muitas as questões levantadas pela nossa consciência quando estamos determinados a efetivar nossa transformação espiritual, quando decidimos deixar para trás nosso passado inferior, precisando para isso redefinir nossas prioridades , o que só conseguiremos fazer sendo sinceros quanto aos erros que estamos cometendo, além, claro, quanto aos sentimentos negativos e instintos inferiores até então alimentados, e que ainda trazemos em estado latente em nosso íntimo, mesmo que, de alguma forma, já não mais os expressemos na convivência diária com nossos irmãos do caminho.

Hoje já temos a consciência, ou pelo menos deveríamos ter, em decorrência do estudo e da vivência no Espiritismo, que a Verdade é Única, e ela está no Cristo, em tudo que Ele nos trouxe através de seus ensinamentos e exemplos, não mais podendo assim haver sofismas que venham nos desviar do caminho a seguir.

Infelizmente, em vez de nos fixarmos a esta Verdade, insistimos de forma recorrente a nos acomodar às realidades temporárias que mais se adequam aos nossos desejos imediatistas, elevando-as a um patamar no qual elas não merecem estar, as permitindo moldar nossas posturas e servirem de base as nossas escolhas.

Realidades que possuem apenas a aparência do que vem a ser o certo, de acordo com o que cada um de nós enxerga o mundo, as adequando aos nossos desejos, sempre encontrando uma forma de as proteger através das mais variadas justificativas e desculpas, por mais que elas venham a nos desviar de nossa jornada evolutiva.

Quando assim agimos nos mantemos, geralmente, afastados e ainda distantes do tão almejado equilíbrio íntimo, o protelando de forma inconsequente, sem atinar que será ele, no futuro, que possibilitará a que venhamos nos livrar dos mais resistentes resquícios da inferioridade, a mesma que alimentamos por séculos de erros e desvios de conduta.

O egoísmo, a vaidade, o orgulho, a dúvida, o medo, são sentimentos comuns ainda em nosso atual estágio evolutivo, e mesmo que através deles não venhamos a cometer graves crimes que firam a legislação humana, a eles nos mantemos presos por transgredirmos as Leis Divinas, ainda que para a sociedade humana sejamos vistos como pessoas de bem.

Entretanto, estes sentimentos, ainda que disfarçados, não deixam de ser fatos geradores para que venhamos a recalcitrar em antigos erros cármicos, realimentando nossa inferioridade, e mesmo que não venhamos prejudicar diretamente a ninguém, permanecemos estacionários, porque são eles que nos impedem de agir diretamente em prol do próximo, de pensarmos menos em nós e mais no coletivo, quando preferimos nos manter comodamente em uma posição de neutralidade, para não dizer de nulidade.

Desta forma, o passo inicial para vivenciarmos a Verdade Cristã, não mais nos perdendo nos labirintos de inúmeras equivocadas realidades humanas, está ligado intimamente ao que o Mestre nos ensinou, e que o Espiritismo, como seu Consolador Prometido veio ratificar e ampliar, escolhendo priorizar aquilo que precisamos, como o apóstolo nos ensinou, o que nos convém, e não, o que desejamos por mais que nos seja permitido, focando nossa vontade, não mais justificando nossas equivocadas escolhas, não mais criando subterfúgios ou fatores condicionantes que visem adiar nossas escolhas e atitudes no bem.

Estudar o Cristo, enxergar o Mestre nos conceitos que Ele deixou para nós, valorizando sentimentos como o amor, a humidade, a caridade, a tolerância, a coragem, e tudo o que de mais valioso pudermos fazer nascer dentro de nós, gerando a empatia, conhecendo melhor o nosso irmão do caminho, e assim como também a nós mesmos, em uma análise profunda do que fomos, do que somos, e de tudo, sem exceção, que precisaremos mudar e transformar para que venhamos a ser, de fato, um tarefeiro do bem.

Na essência, é finalmente vivenciar a Lei Cristã que recomenda amar ao próximo como a nós mesmos, e a Deus sobre todas as coisas!

 

Que assim seja!  

sábado, 28 de agosto de 2021

RECONCILIAÇÃO!





RECONCILIAÇÃO! 

 

    Perdoar não sete, mas, setenta vezes sete!

    Quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra!

    Oferecer a outra face!

    Reconciliar com o inimigo enquanto estiver no caminho com ele!

    Essas são apenas algumas passagens evangélicas, onde os ensinamentos e exemplos cristãos deixam claro à necessidade de focarmos na paz, no entendimento, no perdão, no não julgar para não ser julgado, pois, se a isso fizermos, daremos abertura para sermos julgados pela mesma medida.

    Sempre que um espírito se deixa levar por seus sentimentos inferiores, suas paixões degradantes, seus vícios, mesmo que tenha boas intenções, suas escolhas e ações tendem a fazer com que, em seus relacionamentos, venha a prejudicar ou, de alguma forma, magoar ao próximo, seja nas suas relações mais íntimas com entes queridos e amigos, seja nas interações mais distantes, no trabalho, no lazer, no cotidiano diário.

    Em inúmeras situações de nossa existência no plano físico, a lei da causa e efeito se faz presente, de forma inexorável, e isso em nada programado ou regrado em termos de recompensas ou punições, mas, unicamente, pela premissa que toda ação, gera sempre uma reação, geralmente acompanhada com as consequências positivas ou negativas de acordo com o que foi criado pela individualidade eterna.

    Se vivemos em um mundo de provas e expiações, natural que o sofrimento, a dificuldade, a violência, a desonestidade, os problemas, a dúvida, o medo, a intolerância, a raiva, a traição, a agressividade, o menosprezo, a cobiça, a usura, a sexualidade desregrada, o sensualismo acerbado, entre tantos outros vícios de conduta que caracteriza o gênero humano se façam presentes, e em significativa intensidade.

     Se há inferioridade, haverá sempre má intenção, e consequentemente, alguém que esteja sendo prejudicado, e alguém que esteja a outrem prejudicando, vítimas e algozes, agressores e agredidos, onde aquele que tenha mais força, mais energia, mais determinação, acaba ao final sempre se prevalecendo sobre os demais, de um jeito ou de outro.

     Inegável que há espíritos, encarnados e desencarnados, que anseiam em ser melhores, e muitos deles são, enquanto, que outros estão em constante batalha para vencerem suas próprias imperfeições, lutando dia a dia para serem pessoas do bem e viverem dentro das leis que regulam a sociedade em que vivem, despertando todos os dias sem a intenção de fazer o mal à ninguém.

  Porém, quem de nós poderá afirmar categoricamente, por mais que estudemos e vivenciemos os ensinamentos espiritas cristãos, que não reagiremos a provocações ou agressões de forma igual e proporcional ao que sofrermos, ainda mais se essas ações tiverem por objetivo prejudicar aqueles a quem amamos e que, frágeis, ainda não sabem ou não conseguem se defender sozinhos?

  Como vimos no início do nosso estudo, os ensinamentos cristão são em boa parte direcionados a compreensão do mal alheio, mesmo que este nos atinja, e isso, sem fatores condicionantes, ou seja, e em resumo, amar ao próximo como a nós mesmos, independente do que ele nos faça, de nossa parte caberá apenas ama-lo.

    Infelizmente, nosso orgulho, nossa vaidade, nossa indignação exacerbada, nossa revolta, nos leva a crer que, por nos considerarmos vítimas, por estarmos com a razão ou a lei humana ao nosso lado, temos direito de nos colocar no papel de juiz, ou melhor, de policial, de promotor, de juiz, e até mesmo de verdugo, independente do que tenhamos sofrido, das circunstâncias que envolveram as situações, dos motivos que levaram nossos agressores a assim agir, e dos fatos geradores.

    E é exatamente esta conduta aparentemente baseada no direito humano, que nos afasta da postura divina, e, consequentemente, nos igualando em posição àquele que de alguma forma nos prejudicou, pois, em nenhuma hipótese o Cristo dá o direito a reações agressivas, de nos colocar no direito de julgar e tomar a justiça pelas próprias mãos.

   Processos obsessivos, perseguições espirituais, que, por vezes, atravessam fronteiras entre o físico e o espiritual, se arrastando por mais de uma existência, são escopo para continuadas recapitulações, entre agressores e vítimas, em uma alternância de posições que acaba por estagnar a evolução dos envolvidos, os prendendo em uma simbiose negativa e depressiva, infelizmente, por muitas vezes, arrastando com eles muitos cúmplices e associados dos seus desatinos.

Os envolvidos, que têm por característica principal a incapacidade de perdoar, de relevar, de esquecer as ofensas e compreender que ninguém é perfeito, não conseguem perceber que são os maiores prejudicados, e os maiores culpados pela própria situação que enfrentam, pois apesar de sofrerem, sem conseguir crescer e se libertar das amarras que os mantém na inferioridade de sentimentos, não são inocentes, pois não há vítimas, não há agressores, há só a resistência em amar, em se entregar a humildade cristã, em aceitar as próprias imperfeições, em baixar a cerviz e não mais gerar a guerra, mas buscar a paz, independente de quem tenha razão, porque na verdade, no mal, no inferior, ninguém a tem.   

Alguém precisa dar o primeiro passo rumo a reconciliação, ao entendimento, a desistência da guerra, a renúncia da desforra, e será vencedor aquele que o fizer, que reconhecer seus erros e buscar à remissão, independente se o outro lado queira ou não também terminar o conflito, porque, afinal, cada um é responsável apenas por si mesmo, por sua própria história, seu próprio destino.

Que sejamos nós, quando em conflitos com nossos irmãos do caminho, os primeiros a perdoar e a pedir perdão, a reconhecer erros e aceitar diferenças, em valorizar a humildade e a caridade de aceitar as ofensas e oferecer a outra face.

Que sejamos nós.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

O dever de não julgar e o direito de não ser julgado!

 

 


    Tudo depende do nosso equilíbrio espiritual para que conquistemos aos objetivos que nos propomos alcançar.

    Enquanto o mal, o vício, as paixões inferiores e degradantes nos trazem um mórbido e efêmero prazer, enquanto estamos aparentemente satisfeitos por neles nos chafurdarmos, conseguimos manter certo equilíbrio, um possível controle sobre nossa conduta, sobre nossas escolhas, sobre nossa mente, ainda que estejamos sendo influenciados por forças afins e negativas, tendo plena liberdade de agir e de pensar, escolhendo nossas prioridades e definindo nossas necessidades.

    Assim, mesmo no mal e no erro, quando decididos, determinados, dificilmente entidades espirituais que queiram nos prejudicar, se vingar de algo que as fizemos sofrer ou alguém a quem amam e protegem, conseguirão com facilidade encontrar uma brecha para que venhamos sofrer de forma incisiva sua agressividade, sua vingança, nos mantendo alheios aos seus esforços de nos desequilibrar e prejudicar.

    Isso não significa que em nossas ações não estamos sintonizados e sendo influenciados por espíritos inferiores, ainda mais se elas estão claramente vinculadas a sentimentos negativos.

    O que se passa, na realidade, é que unidos estamos a estes espíritos por afinidade, por sintonia, por mútua atração, desfrutando de suas companhias por vontade própria, porque assim o desejamos, mesmo que o domínio que eles tenham sobre nós seja forte, até mesmo, por vezes, assumindo o papel de comando sobre nossas escolhas.

    Da mesma forma, equilibrados no bem, cientes de nossas responsabilidades, firmes e seguros em nossas resoluções, ainda que longe da perfeição ou do total domínio sobre nossos sentimentos negativos, temos, na proteção e no arrimo de amigos e benfeitores espirituais, também plena condição de resistir ao assédio de forças inferiores que queiram nos prejudicar, mesmo que estas de alguma forma tenham sido por nós prejudicadas, em um passado recente ou distante, porque a ninguém está afeito o papel de juiz, de policial, de verdugo, cabendo a justiça sempre a Deus, e este, não julga, não condena, e dá plena possibilidade e capacidade do espírito culpado se redimir, e buscar por sua própria forças e vontade, à sua remissão, a quitação de seus débitos, a correção de seus erros.

    Quando nos desviamos do caminho do bem são várias as razões que poderão nos levar a reconsiderar as nossas atitudes e buscar nossa renovação, nossa mudança de postura e de atitude íntima, mas a maioria delas, indiscutivelmente, precisa passar pelo reconhecimento e pelo arrependimento de nossas próprias faltas, de nossos desvios, para que depois, analisando nossas necessidades e nossas dívidas, possamos, acompanhados por nossos benfeitores, planejar uma forma de virmos em posteriores oportunidades de estudo e trabalho, quita-las e resgata-las da melhor maneira, para que venhamos a beneficiar a nós mesmos e ao mesmo tempo, àqueles a quem prejudicamos.

    Não é fácil, entretanto, virmos a encontrar esta conscientização de nossa errônea postura e, prontamente, iniciarmos o nosso processo de renovação.

    Por vezes, o nosso desequilíbrio momentâneo, poderá dar espaço e potencializar a força sobre nós, assim como a influência, das nossas vítimas, de nossos adversários, ou até mesmo de cúmplices e associados, que são contrários ou não creem, a que venhamos a encontrar a possibilidade de retornarmos ao caminho do bem, quando, então, passam a nos monitorar e buscar nos direcionar aos mesmos desvarios que em um passado recente nos entregávamos, não admitindo que nos isolemos de seus convívios, potencializando qualquer sentimento que venha a nos fazer fraquejar, seja através de tentações, ou outros subterfúgios, até mesmo o remorso destrutivo.

    O importante para eles em um primeiro momento, para não perderem a ascendência sobre nós, é que venhamos a perder o controle sobre nossas escolhas e ações, manipulando nossos desejos, ou agravando sentimentos inferiores como o medo ou a dúvida, até mesmo nos fazendo acreditar que somos devedores, criminosos, que precisamos de punição, que merecemos ser seviciados, perseguidos, que precisamos sofrer porque fizemos com que os outros sofressem, lhes dando assim, indevidamente, o direito, a possibilidade, a autorização, para que dominem nossa vontade, nossa existência, nos entregando ao seu domínio.

 

    “Quem estiver sem pecado que atire a primeira pedra”.

 

    Jesus foi claro ao determinar que só poderia julgar, só teria o poder de condenar e impingir a pena como verdugo, como carrasco, utilizando-se das próprias mãos para corrigir uma aparente injustiça, aquele que nunca também tivesse feito mal a alguém, que nunca tivesse sido o criminoso, que nunca tivesse sido o agressor.

    O interessante, sobre esta condição imposta pelo Cristo, é que hoje, como em sua época, aquele que está plenamente quite com sua consciência, é também aquele, que a ninguém julga, que a ninguém condena, que tem plena capacidade de perdoar, ou de pedir perdão quando necessário, não alimentando em si sentimentos como o orgulho, a vaidade, ou o mais grave deles, o egoísmo.

    Muitos podem afirmar categoricamente, e talvez até estejam certos, que nesta existência, em nenhuma oportunidade, tenha agido com intenção de prejudicar ou lesar a ninguém, ainda mais aquele que atualmente o prejudica e que o faz sofrer, porém, como cristão, como espírita, deve estar consciente, que está em um mundo de provas e expiações, onde os sentimentos inferiores ainda prevalecem e predominam na grande maioria dos corações da nossa humanidade, o que o levará a crer, e é fato, que também não está isento, decorrente de outras existências, de erros, de crimes, de débitos pessoais a serem quitados, a serem ressarcidos, onde existe até mesmo a possibilidade de seu atual algoz, em sua aparente inocência, tenha sido, em existência anterior, sua vítima, aquele a quem prejudicou, e talvez, até mesmo, com maior gravidade.

 

    “Perdoar não apenas sete, mas setenta vezes sete.”

 

    Esta é a melhor fórmula para que não venhamos a nos emaranhar em erros ainda maiores pelo fato de não aceitarmos os sofrimentos que estejam sendo a nós impostos por irmãos do caminho, e nesta concepção de perdão, se faz necessário que aprendamos, principalmente, a perdoar a nós mesmos, a reconhecer que somos falíveis, que podemos errar, reconhecendo assim também o dever de perdoar e entender os erros do próximo, sem tentar julga-los, condena-los, deixando a isso a quem de direito, as leis humanas, e quando não, as leis divinas, as quais ninguém escapa.

    Se nós erramos, se a algo ou alguém prejudicamos, se cometemos crimes e desvarios, temos plena condição de buscar a renovação, a transformação, quitando débitos, ressarcindo dívidas, e para isso, se faz, realmente, necessário o arrependimento sincero, a análise e o reconhecimento dos crimes cometidos, o planejamento para corrigi-los e ressarci-los.

    Está ação, entretanto, deverá ser feita sempre com equilíbrio, nos protegendo e amparando na fé, na certeza que o Pai olha por nós, que poderemos contar com a proteção e o apoio de benfeitores espirituais, que precisaremos, sim, de muito esforço, de enfrentar dificuldades, talvez sofrimentos, dores, com extrema necessidade de renúncia, de esforço, de disciplina, mas tudo isso, não a título de punição, mas, sim, por consequências naturais de nossos atos, de nossas escolhas, por se tratar de colheita natural daquilo que plantamos, daquilo que geramos para nós com nossos atos, com nossas escolhas.

    Mesmo que enfermos, mesmo que reconhecidamente culpados, precisamos, desta forma, manter o mínimo de equilíbrio possível para buscar nossa transformação espiritual, cientes que ninguém, nem mesmo nossas vítimas, têm ou detém o poder ou a autonomia de nos punir, de nos perseguir, de nos prejudicar, ainda mais, porque elas também devem ter suas pendências espirituais, também devem ter aqueles a quem prejudicaram.

    Viver no bem, estudar, trabalhar, ser paciente, amoroso, tolerante, caridoso, humilde, pacífico, corajoso, amar ao próximo como a si mesmo e a Deus sobre todas as coisas, tudo isso já basta para angariarmos proteção, arrimo, amizades sinceras e eternas, sem correr o risco de nos ver enredados em processos obsessivos, em perseguições, em associações indébitas.

    Tudo é questão de escolha, de firmeza nas intenções, de desejos sinceros, sendo os artífices de nosso destino, e que este destino seja no Cristo, que seja no eterno bem.   


      

domingo, 7 de março de 2021

"Corpo Físico - Instrumento Divino"


 

Programado por nós mesmos, ou por mentores da espiritualidade superior quando por algum motivo estejamos incapacitados ou não autorizados para tal, nosso corpo físico, com suas totais características, produtivas ou restritivas, é um dos principais itens constante em nosso planejamento reencarnatório, sendo um relevante instrumento para que venhamos vencer ao nosso passado culposo e seguirmos firmes no processo de nossa evolução como individualidade eterna.


O que precisa ser, entretanto, tratado com a máxima atenção, como tudo o que se refere a um planejamento, seja em nossa vida pessoal ou profissional, como também ao que antecede a nossa volta a matéria, é que na prática, quando da sua realização efetiva, são poucas as ocasiões em que ele vem a ser cumprido a risca.


Independente das inúmeras variáveis que poderão vir a ocorrer com o nosso corpo físico de acordo com nossas necessidades imediatas, a hereditariedade será sempre respeitada, porque são os genes dos pais que darão origem aos dos filhos, e isso muito é levado em conta também quando da análise geral das necessidades do reencarnante, sendo, inclusive, em alguns casos, os pais escolhidos baseado unicamente na questão genética, se isso for fator primordial para o possível sucesso do ser que volta ao plano físico.


Cada caso é único e possui suas características próprias, porém, algo é certo, das mais simples as mais complexas, a espiritualidade superior estará sempre no mais absoluto controle da situação, tudo fazendo com lógica absoluta e no mais pleno equilíbrio, acompanhando as possíveis mudanças decorrentes do livre arbítrio dos envolvidos, e readequando as situações para que as oportunidades de renovação sejam sempre aproveitadas por todos.


Nosso corpo estando ao reencarnar plenamente apto e de acordo com aquilo que foi programado para nossa existência, caberá a nós levarmos a efeito aquilo que é de nossa responsabilidade suportar e realizar, devendo para isso respeita-lo, trata-lo, sustenta-lo, fortalecê-lo, utilizando-o da melhor maneira possível, sabendo, claro, por antecedência, que vivemos em um mundo de provas e expiações, estando todos assim, devido as nossas seculares imperfeições, sujeitos a nos deixar enredar pelo nosso passado culposo, vindo a enfraquecê-lo e maltrata-lo, dificultando assim, voluntariamente, a nossa plena vitória dentro do que de nós se espera nesta oportunidade cármica.


O abuso alimentar, o descuido com a alimentação mínima, os vícios de todos os tipos, como o tabagismo, o álcool, as drogas, ou a entrega a desregramentos sexuais, ou a valorização de sentimentos agressivos, como a intemperança, a intolerância, a revolta, o medo, a tristeza, ou o exagero em relação a tatuagens e piercings, como também a busca excessiva do corpo perfeito através de regimes, de exercícios físicos, ou de desnecessárias intervenções plásticas, são fatores de suma relevância no desperdício fatal do veículo físico que nos serve na atual existência, nos fazendo assim falir em nossas pretensões evolutivas, nos desviando de forma significativa daquilo para qual nosso corpo foi programado, quando então, enfraquecido, ele passar a ser um instrumento defeituoso e incapaz de suportar aquilo pelo qual deveríamos ou ainda deveremos passar, sendo, até, em última instância, a causa que nos levará ao regresso antecipado ao plano espiritual como suicidas indiretos.


São raros aqueles que retornam a espiritualidade na posição de “completistas”, termo trazido para nós por André Luiz em suas obras, que são os que conseguem cumprir a risca tudo que foi previamente planejado antes do reencarne, devido claro, a inferioridade latente que a maioria de nós carrega, fora a inconstância do nosso querer, quando se dilui, devido ao véu de esquecimento que nos cobre a consciência plena quando encarnados, o desejo de renovação frente a possibilidade e a liberdade de mais uma vez nos chafurdarmos em nossos vícios e nas paixões alimentadas em pretéritas oportunidades, tudo ligado a falsa sensação de felicidade gerada pelo temporário prazer deles decorrentes.


Cabe a cada um valorizar e proteger o próprio corpo físico, lhe dando o devido valor, agindo e reagindo a luta diária com responsabilidade, de forma regrada e disciplinada, para que venha a ter plena capacidade realizadora em suas ações, tendo assim um firme e capaz instrumento para vencer a batalha contra os seus sentimentos inferiores e as suas tendências negativas, objetivo maior a ser conquistado por todos.


O nosso corpo físico sendo tratado com cuidado e respeito não é garantia para que venhamos a cumprir de forma plena nosso planejamento reencarnatório, mas é certo, porém, que nossas chances irão muito aumentar, principalmente, porque não desperdiçaremos tempo e energia no tratamento de doenças, não nos impondo assim, por livre consciência, limitações e obstáculos desnecessários para nossa vitória espiritual.


Orar e vigiar, valorizar o bem, os conceitos cristãos e os preceitos espíritas, gerando positividade e combatendo de forma sistemática a negatividade, não só aquela que trazemos dentro de nós, mas as que a vida encarnada nos traz como constante ameaça a nossa paz íntima.


A perfeição ainda se encontra imensuravelmente distante de ser alcançada, mas o desejo sincero para a transformação no bem é conquista franqueada a todos, sem exceção, e é algo que não precisamos nada esperar para possuir.


Que cada um encontre este desejo de mudança o mais breve possível, que seja hoje, que assim seja!          

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Mudança Individual e Planetária


 

    Vivemos em um mundo de provas e expiações, onde o mal predomina, mas, caminhamos de forma contínua para assumirmos o estágio da regeneração, onde o desejo de melhorar e de deixar para trás o erro é fator preponderante, beirando ao absoluto dos que aqui permanecerem.

    Alguns podem estranhar esta colocação final, que nem todos poderão usufruir desta mudança planetária, mas o que precisa ficar claro é que isto não significa premiação para uns e punição para outros, mas, simplesmente, a situação do fator selecionador estar ligado a sintonia, ao padrão vibratório emanado, não só da criatura, mas da atmosfera psíquica do planeta, traçando a linha demarcatória do que se faz necessário conquistar e manter para se ter o direito irrestrito e natural de permanência.

    Ainda que muitos já tenham despertado para a necessidade de abraçar o bem como direcionador das suas existências, utilizando como exemplo os preceitos morais e éticos contidos nas mais sérias frentes religiosas, assim como no sistema social e jurídico de alguns países já mais desenvolvidos, é inegável que, espalhados pelo mundo, inúmeros irmãos do caminho, inúmeras comunidades, inúmeros povos e países, em relação a direitos humanos, a igualdade social e de direito, ainda longe estão do ideal, muitos até mesmo presos à barbáries legais, onde o preconceito de todos os tipos ainda predominam e segregam aqueles que não estão alinhados com seus retrógados códigos de conduta.

    Não falamos aqui de avanços tecnológicos, científicos, de poder temporal, de poder financeiro, mas da restrição do mais puro direito de cada um decidir o que é melhor para si, desde que não prejudique diretamente a ninguém, pois, infelizmente, ainda há países que delimitam direitos as mulheres, aos homossexuais, a quem não pertence a raça predominante, a quem não nasceu na localidade, a quem não tem a classe social alta, entre outros desvarios originários do orgulho, da vaidade, da intolerância, do preconceito, do egoísmo, da prepotência, e infelizmente, do ódio para com aqueles que não seguem suas cartilhas e seus códigos.

    Ainda existem diferenças gritantes entre estágios evolutivos espirituais e morais, e isto independente de classe, de poder aquisitivo, da frente religiosa escolhida, ou entre aqueles que ainda não admitem uma força maior no comando do mundo, diferenças geradas pela ignorância, pelo não desejo de adquirir conhecimentos maiores, em não desejar sair da zona de conforto, em não perder privilégios, ou poder vir a deseja-los e conquista-los custe o que custar, frutos de pretéritas lutas baseadas na vantagem pessoal, na lei do mais forte, no sofisma de se considerar superior ou merecedor, entre tantos outros desvios de conduta, tendo, porém, todos em comum, as pretéritas existências onde já preferiam ignorar o direito do próximo, não respeitar diferenças, não alimentar o mínimo de empatia, se arvorando de juízes e censores das atitudes e escolhas alheias.

    Em relação ao passado, a diferença para a negatividade de intenções e ações da maioria das pessoas de nossa sociedade atual é a de se colocar em uma posição de extrema má vontade e de total desprezo, de forma ostensiva ou disfarçada, em relação aos exemplos e ensinamentos do Mestre Jesus.

    Ao se colocarem em posição de superioridade e empáfia frente aos seus irmãos do caminho que não pensam como eles, ignoram de forma ostensiva a necessidade de não julgar para não serem julgados, de não atirar pedras se também estiverem sob judice de serem apedrejados, de não oferecer a outra face quando agredidos ou injuriados, ainda que de forma injusta, de não perdoar nem sete, nem quantas vezes forem necessárias, e, principalmente, não fazer ao irmão do caminho o que não gostariam que ele os fizesse, e fazendo a ele o que gostariam que lhes fosse feito, amando-os e respeitando-os, como a eles mesmos deveriam se amar e se respeitar.

    No mundo virtual em que vivemos chega a ser surpreendente, se não assustador, o ódio destilado seja qual for o assunto, com que uns tratam aos outros, em uma crescente polarização, onde o desrespeito e os excessos deixam ao final uma única certeza, a que todos estão distante da Verdade, presos as suas realidades, onde o bem geral se perde em decorrência da disputa pela razão e pelo, ainda que não admitido, poder.

    A agressão verbal e física está escancarada, máscaras sociais caem com extrema facilidade para aqueles que extrapolam todos os limites de civilidade e do respeito, escondidos que estão atrás da tela de um computador ou de um celular.

    Tudo, talvez, seja fruto de uma revolução em andamento, quando aqueles que ainda estão resistentes à mudança podem estar reencarnando juntos em um contingente cada vez maior, e como agravante em relação a agitação disso decorrente, em um período onde a informação e a notícia se espalham em uma velocidade estonteante, e onde são raras as ocasiões em que não haja um vídeo sendo gravado com os mais insólitos acontecimentos.

    Não há dúvida que pela imposição equivocada de algumas frentes religiosas na busca pelas aceitações de seus dogmas, aliado ao fato dessa imposição ir contra a liberdade que se anseia em várias frentes da sociedade, cada vez mais esmorece em um número significativo de pessoas o desejo e a necessidade do desenvolvimento da espiritualidade, quando até mesmo o próprio Cristo é visto e tratado como um ser mitológico, não real, desviando-se por causa de estéreis discussões a essência Divina para a efetiva evolução planetária, contida em seus ensinamentos e em seus exemplos.

    Corremos o risco, assim, de seguirmos o exemplo de Capela, planeta que exilou aqueles que mesmo avançados intelectualmente, insistiram de forma irascível na valorização do mal, do vício, do desregramento das paixões, vindo eles servirem de deuses a um planeta ainda infante, preso a selvageria de costumes, chamado Terra.

    Ainda é cedo para afirmarmos que isso ocorrerá de forma inquestionável, mas não há dúvida que chegou a hora do nosso planeta galgar mais um degrau na escala evolutiva dos mundos, e não serão algumas almas resistentes e insistentes na negatividade de sentimentos que irão impedir que isso aconteça no tempo previsto pela espiritualidade superior que comanda nosso orbe.

    Estando condicionada a transformação do nosso planeta à mudança da maioria dos espíritos que aqui estagiam, não há dúvida que se faz estritamente necessária a nossa própria renovação íntima para progredirmos como individualidade, e carimbarmos o nosso passaporte para acompanha-lo em sua ascensão, lutando com todas as nossas forças para eliminarmos a inferioridade que ainda existe em nosso íntimo, reacendendo a chama do amor puro baseado no Cristo Jesus que está vivo em nós desde que fomos criados.

    Que saibamos valorizar a oportunidade que hora recebemos de estudar, conhecer, e quiçá, vivenciar os conceitos que formam o corpo doutrinário do Espiritismo Codificado por Allan Kardec, aquele que nos reconduziu a pureza dos ensinamentos cristãos, longe de regras e dogmas, de paraísos beatíficos e infernos de chamas eternas.

    Façamos nossa parte, que seja no bem, que assim seja!

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

A Porta Estreita


 

Inúmeros são aqueles que vivem sob o critério da postergação, ou seja, adiando aquilo que no momento não quer realizar, ou para tal não está preparado, ou prefere julgar que não está, principalmente, quando aquilo do que abre mão de fazer exige, por suas características, tempo e energia, esforço próprio e disciplina, o que em um primeiro momento é visto mais como uma obrigação do que uma tarefa prazerosa e que trará recompensas ou resultados imediatos.

Muitos, por exemplo, apesar de se sentirem atraídos para a profissão de médicos, quando vislumbram as dificuldades que terão que enfrentar, a capitalização de recursos, quando estes não estão facilmente disponíveis, o tempo da preparação para ser aceito na instituição de ensino, a disciplina que terá que se impor, geralmente, deixando para trás diversões e compromissos sociais, se distanciando naturalmente dos amigos de folguedos, preferem desistir, ou adiar, ou buscar outra profissão que lhe tragam um retorno imediato e que lhe exijam menos teóricos “sacrifícios” para que venha a ser concluída, mesmo que em um primeiro momento se afastem de seus ideais.

Quando isso acontece, corre-se o risco de se estar enganando a si mesmo, convencendo-se de que é tudo “igual”, que mais tarde poderá realizar sua meta, buscando justificativas que corroborem com sua decisão, com sua escolha, ainda que no fundo, sua consciência grite contrária a sua atitude, ou, aos motivos que levaram a toma-la.

Como espíritos eternos, todos nós, por estarmos ainda enfrentando inúmeras dificuldades dos mais variados tipos enquanto encarnados, e no momento estagiando em um mundo de provas e expiações, com certeza nos encaixamos neste grupo, ressaltando, inclusive, que só por este fato, já representa para nós uma significativa vitória, afinal, poderíamos ainda estar na fase de não desejarmos nenhum tipo de mudança para o bem, sendo que hoje, por estarmos aqui juntos, escrevendo ou lendo, pelo menos, já a aspiramos, porém, confessemos, não com a convicção necessária, já que ainda nos escondemos atrás de desculpas e justificativas para o adiamento das atitudes necessárias para nossa efetiva transformação espiritual.

Precisamos estar atentos, entretanto, para não cairmos no erro de nos iludir, de acharmos que teremos tempo para começar, que são válidas nossas razões, nos acomodando na postura inerte de nada fazer para melhorar, ainda que nada estejamos fazendo para piorar.

Existe um ideal a ser alcançado em relação a renovação para o bem, dentro dos parâmetros estabelecidos pelo Cristo através de seus ensinamentos e exemplos, e precisamos ter consciência que a cada atitude errônea, assim como a cada adiamento, mais nos desviamos do caminho que nos levará a esta conquista.

Somos livres para tal, é fato, ninguém irá nos obrigar a avançar constantemente, porém, não nos será permitido também avançarmos quando e da forma que desejarmos caso não estejamos nos portando de acordo com aquilo que se faz necessário, dentro dos critérios estabelecidos pela Verdade Cristã.

Jesus deixou claro que precisaremos carregar a nossa cruz, e se nossa vontade no momento é estagnarmos, ainda que não estejamos prejudicando a ninguém, não poderemos esperar que a mesma distância seja mantida de nossos irmãos maiores devido ao tempo que desperdiçarmos com a nossa indevida ação.

A vida prossegue de forma contínua, aqueles que hora estão ao nosso lado e que optam por avançar vão construindo novas obras, conseguindo novas conquistas, e para no futuro os alcançarmos, teremos que percorrer os mesmos caminhos que eles percorreram, só chegando até eles quando estivermos no mesmo estágio, o que se tornará cada vez mais difícil, porque o caminhar deles é interrupto, e assim, quanto mais tempo ficarmos parados, mais tempo e esforço teremos que dispor, já que não é justo que eles parem para nos esperar, já que foi nossa opção estacionar e desperdiçar nosso tempo.

Muitos se iludem pelo fato de que, já que são eternos, e que as oportunidades sempre lhes serão dadas, que poderão tomar a decisão de mudar após ter tomado até a última gota do cálice da inferioridade espiritual, sem pressa, sem pressão.

Para isso, gostaríamos de lembrar que a porta do erro é larga e florida, e a do acerto, é estreita e exigirá sempre muito esforço para ser transposta.

Em uma melhor comparação, o desvio que tomarmos do caminho do bem será uma descida que percorreremos em menos tempo e mais facilmente, nos dando prazer e uma enganosa leveza, porém, com o tempo, ela se tornará escorregadia, o que nos levará a tomar diversos tombos e sofrer inúmeras quedas, consequentemente, nos trazendo dor e adversidades.

Poderemos até parar, estacionar, refletir, nos cansar dos erros cometidos, do desvio tomado, porém, para voltarmos ao caminho do bem ninguém poderá nos carregar, não haverá um veículo nos esperando para confortavelmente regressarmos, teremos que ter disposição, vontade, disciplina, porque os primeiros passos ainda serão em um terreno escorregadio, sem esquecer que agora teremos que subir, teremos que percorrer todo o caminho de volta em ascensão, o que exigirá muito mais trabalho e muito mais tempo. É a porta estreita!

Só que Deus é bondade, é Amor, e como diz a Lei, Ele não quer a morte do pecador, mas a sua redenção, por isso também o apóstolo anunciou que o Amor cobre uma multidão de pecados, e desta forma, para retornarmos por este desvio até o verdadeiro caminho da redenção e da evolução, não precisaremos necessariamente sofrer, mas sim trabalhar, nos esforçar, nos sacrificar em prol do próximo, em prol da coletividade onde vivermos, perdoando e sendo perdoando, nos redimindo através do esforço no bem, nos redimindo com nossa própria consciência com suor e as lágrimas do trabalho realizado.

Não há favorecimento ilícito ou privilégio de qualquer tipo na Justiça Divina, e, sempre, sem justificativas ou desculpas que a isso modifique, será dado a cada um exatamente de acordo com suas obras.

Que assim seja!